Filho de Bolsonaro critica questão do Enem por dialeto gay

A indagação levou Eduardo Bolsonaro a dar um recado, no Twitter, sobre a construção da equipe ministerial do pai: "Aviso que não é requisito para ser ministro da Educação saber sobre dicionário dos travestis ou feminismo"

por Giselly Santos seg, 05/11/2018 - 10:51
Giselly Santos/LeiaJáImagens A questão criticada por Eduardo tratava do dialeto usado por travestis e gay Giselly Santos/LeiaJáImagens

Deputado federal mais bem votado do país, Eduardo Bolsonaro (PSL) criticou, nesta segunda-feira (5), a construção de uma das questões de linguagem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que teve a primeira fase aplicado nesse domingo (4). A pergunta tratava sobre dialeto e reproduzia um texto comentando a existência do pajubá, utilizado por gays e travestis.

A indagação levou Eduardo a dar um recado, no Twitter, sobre a construção da equipe ministerial do pai e presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL): "Aviso que não é requisito para ser ministro da Educação saber sobre dicionário dos travestis ou feminismo".

Em seguida, ele publicou que os estudantes precisam aprender o que os deixarão aptos para a vida e não sexualidade ou feminismo, por exemplo.

"Prezados estudantes, quando vocês forem ser entrevistados para um emprego ou estiverem abrindo um empreendimento aviso: sexualidade, feminismo, linguagem travesti, machismo e etc terão pouca ou nenhuma importância. Portanto, estude também o que lhe deixará apto para a vida", ressaltou na publicação.

O filho do presidente eleito também compartilhou, na rede social, argumentos de que a prova do Enem deste ano corroborava a necessidade de se aprovar o projeto polêmico da escola sem partido. 

Ao contrário da análise de Eduardo Bolsonaro, ao comentar a questão para o Vai Cair no Enem, do LeiaJá, o professor Diogo Didier considerou como pertinente a questão, principalmente como forma de inclusão das minorias nas temáticas abordadas pela prova.

“Foi super pertinente porque temos uma linguagem que vai além dos gêneros textuais mais comuns e usados no dia a dia, não é apenas inclusão da minoria, mas para provar que há possibilidade sim de se conhecer outros dialetos de fala”, salientou.

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