Bolsonaro sobre agressões: lamento, mas não tenho controle

Um mestre de capoeira baiano foi morto por um eleitor de Bolsonaro e uma jornalista agredida no Recife

por Giselly Santos qua, 10/10/2018 - 09:19
Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo Bolsonaro disse que ele, na realidade, é que foi vítima de ódio político Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo

Candidato a Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que lamentava os casos de violência registrados no país nos últimos dias, provocados por seus apoiadores em desentendimentos políticos, mas ponderou que não pode controlar a atitude das milhões de pessoas que o apoiam.

Ao ser questionado, na noite dessa terça-feira (9), sobre como observava as atitudes de agressões, Bolsonaro reclamou e indagou se a pergunta não deveria ser invertida, fazendo referência ao ataque que sofreu em 6 de setembro, quando foi esfaqueado. 

“Será que a pergunta não tem que ser invertida não? Quem levou a facada fui eu. É um cara lá que tem uma camisa minha, comete um excesso, o que eu tenho a ver com isso? Eu lamento, peço que o pessoal não pratique isso, mas eu não tenho controle”, argumentou, acrescentando que a “violência e a intolerância”, na realidade, vêm do outro lado. “Sou a prova viva, graças a Deus, disso aí”, completou.

No último domingo (7), uma jornalista foi agredida no Recife por dois homens logo após sair do seu local de votação, um deles vestia uma camisa de Bolsonaro. A Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso. No mesmo dia, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa foi morto a 12 golpes de faca após uma discussão política em Salvador. A vítima declarou o voto em Fernando Haddad (PT) enquanto o agressor, que já confessou o crime por motivação política, defendeu o apoio a Bolsonaro.

Para o presidenciável, apesar dos registros o clima não estava muito bélico. “Não está tão bélico assim não. Está acirrada essa disputa, mas é só um caso isolado, a gente lamenta”, frisou.

Outros casos foram relatados pelo país, como o fato de uma médica ter rasgado a receita de um paciente após ele declarar que havia votado em Haddad e não no candidato do PSL. O episódio aconteceu em Natal, no Rio Grande do Norte.

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