Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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O Brasil e o atraso no desenvolvimento digital

Janguiê Dinizqui, 12/07/2018 - 18:13

Há alguns anos, não era possível que o padrão de consumo fosse estimulado junto a uma política de desenvolvimento sustentável. Equilibrar o uso dos recursos naturais com a política de produção era tido por países desenvolvidos como impossível.

Quando falamos em indústria 4.0, o Brasil ainda engatinha no uso de tecnologias que unem automação e internet. Os números de uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC) com 2 mil empresários em 26 países revelam a lentidão brasileira para se adaptar à “indústria do futuro”, em que as operações são digitalizadas e a análise de dados é primordial aos negócios.

A indústria 4.0 tem sido temida por muitos por ter sido associado à substituição da mão-de-obra humana por robôs, entretanto, sua premissa traz o uso da tecnologia  e chega para tornar a produção mais eficiente e menos agressiva aos recursos naturais. A Indústria 4.0 utiliza-se da união de sistemas físicos e informáticos para analisar um grande volume de dados e possibilitar às máquinas um processo de aprendizagem. Ela é a utilização de uma série de tecnologias, como: robótica, simulação, integração de sistemas, internet das coisas, entre outras.  Nesse sentido, o Brasil está longe do desenvolvimento no contexto da engenharia digital, da gestão integrada da cadeia de fornecimento e dos serviços digitais.

Um estudo realizado pela University of Washington divulgou que das 500 maiores empresas existentes, somente 60% vai existir daqui 10 anos. Isso porque elas não vão resistir à era digital e o produto, que hoje é fabricado, ou o serviço, que hoje é oferecido,  não será mais consumido no futuro. Esse movimento de mudança está sendo criado pelas empresas disruptivas, que possuem uma mentalidade diferente da grande maioria.

Todas essas empresas apresentam processos tecnológicos que tem seis elementos característicos: vivem na busca da inovação, estão acompanhando a 4ª Revolução Industrial e as tecnologias mais recentes; são completamente voltadas para o digital; são fortes participantes e preocupadas com o ecossistema; são planejadoras exponenciais; são ágeis e são centradas no cliente.

No Brasil, o investimento das  empresas está  bem abaixo do investimento tecnológico da média industrial mundial. Por aqui,  apenas 21% dos empresários afirmam que vão investir cerca  de 6% de seus recursos em inovação tecnológica. Enquanto isso, no mundo, a média é de 43%. A culpa por essa falta de investimento é justificável: todos os entraves já conhecidos pelos brasileiros, seja por falta de infraestrutura, falta de política de inovação, crise ética e econômica ainda sem perspectiva de fim, etc.

Comparando com a Alemanha, é possível entender mais claramente nosso atraso. Por lá, o conceito de Indústria 4.0 surgiu em 2011 e, na indústria automobilística, por exemplo, 80% das empresas usam inteligência artificial, automação e robótica, as chamadas máquinas inteligentes, que se autoalimentam. O investimento na educação para a criação de mão-de-obra especializada para acompanhar essa revolução também foi considerada essencial.

Somente uma em cada dez empresas brasileiras investe em  inovação com operações digitais. A quarta revolução industrial é uma solução, não só  para se destacar em meio a um cenário de crise, mas para sobreviver. É preciso melhorar a eficiência para fazer mais consumindo menos.


Entra em cena o profissional polivalente

Janguiê Dinizqui, 05/07/2018 - 15:47

O mercado de trabalho vem passando, nos últimos anos, por grandes e profundas mudanças que exigem do profissional, seja de que área for, novas posturas. Se, no passado, muitos jovens sonhavam em ingressar no Ensino Superior, concluir os estudos, especializar-se em sua área de formação e ter como diferencial um “diploma”, agora, o que se vê são outras necessidades para garantir a sobrevivência no mercado.

O que se busca é o profissional multifuncional ou polivalente, aquele apto ao exercício de diversas atividades, não restrito a sua área de formação. Essa procura é resultado da competitividade e da instabilidade vividas pelas organizações. O profissional polivalente é o profissional do presente e do futuro.

Hoje, é preciso satisfazer as expectativas do mercado, cada vez mais competitivo. Em organizações com departamentos “enxugados” (primeiro pela globalização e desenvolvimento tecnológico e depois pela crise econômica vivida), a diferenciação é a única forma de conquistar e manter seu espaço. Estamos no século do conhecimento, do estudo permanente e continuado. Apenas uma graduação superior não é mais suficiente. É preciso estar sempre se atualizando e se qualificando. Os profissionais precisam, também, ter competências que sejam direcionadas para a geração de negócios para a empresa.

O ambiente de trabalho é extremamente competitivo e seletivo, o que faz com que o crescimento e os resultados de uma organização sejam obtidos à custa das competências pessoais, e não só de habilidades técnicas. São pré-requisitos para ter espaço no mercado atual: agilidade, coletividade e capacidade de gerar valor agregado ao produto. O profissional moderno precisa ter habilidade para trabalhar em equipe, compatibilizar inteligência, experiência e expertise e ter uma visão global. E, talvez, o mais importante: é preciso estar predisposto a aceitar mudanças e desafios constantes.

Muitas vezes, o profissional se prepara apenas por meio do estudo, com graduação, pós-graduação, cursos, idiomas, e, quando chega ao seu objetivo dentro de uma empresa, se acomoda. É aí que uma carreira pode entrar em derrocada. Isso porque as empresas contratam pela atitude, já que as atividades profissionais todos são capazes de aprender e desenvolver.

Nesse contexto, o conceito de trabalhabilidade pode ajudar a muitos. Trabalhabilidade é a capacidade de adaptação e de geração de renda a partir de habilidades pessoais. Quem possui trabalhabilidade é aquele profissional capaz de gerar renda, prestar serviços e se manter em atividade colaborando para o bom funcionamento do sistema. Para isso, tem que ser um profissional polivalente. Essa multifuncionalidade ajuda a manter o emprego e a trabalhabilidade.

O profissional que ganhará destaque no perfil do mercado de trabalho atual é aquele que sai da descrição do cargo e vai para a ação. Cada oportunidade em uma empresa é como uma nova escola: há muito o que aprender. Um colaborador com diferentes experiências pode trazer novas ideias e não apenas continuar fazendo o que era padrão.

Da Ansa


Consciência de consumo e de futuro

Janguiê Dinizqui, 28/06/2018 - 11:27

Em tempos de crise, há que se pensar com cuidado no futuro do país. Falo do futuro tanto econômico, quanto social e ambiental. Como fazer para manter o equilíbrio e contribuir para que nós e o país possamos “sobreviver”. A chave está no consumo consciente, ou seja,  usufruir dos recursos de forma responsável, pensando no reflexo de cada ato tanto para a economia pessoal, quanto para a qualidade de vida no planeta.

O consumo consciente é uma questão de hábito. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), se a população mundial continuar crescendo e mantiver o estilo de vida atual, em 2050, serão necessários três planetas Terra para suprir os recursos naturais necessários. A situação é preocupante e fez a Organização incluir, entre os 17 objetivos de sua Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (da qual o Brasil é signatário), o consumo e a produção responsáveis.

O texto propõe, até 2030, reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento. Também orienta as nações a reduzirem substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso.

Um estudo da Global Footprint Network indica que estamos consumindo 1,7 Terras por ano, ou seja, quase o dobro do que o planeta pode produzir. Nesse ritmo, a organização afirma que o dia 1º de agosto deste ano é o dia em que o consumo superará a produção – data que vem chegando mais cedo a cada ano. Pior: se o planeta todo tivesse os hábitos de consumo do Brasil, essa virada ocorreria em 19 de julho.

Três verbos que nos transformam em consumidores conscientes e nos ajudam a manter o controle: planejar, avaliar e escolher. Planeje para comprar menos e melhor, sem impulsos. Avalie a necessidade. Estamos em um momento delicado da economia e excessos podem acabar gerando problemas maiores. Escolha com calma, pesquise antes de realizar uma compra. Tal postura, além de reduzir o consumo desnecessário, ajuda a encontrar melhores preços e até juros mais baixos.

Economizar água e energia e aprender a controlar gastos pessoais têm sido tarefas árduas para muitas pessoas, no entanto, essas dificuldades podem ser minimizadas se mudarmos nossos atos no dia a dia, promovendo melhores condições de vida. É preciso buscar novas alternativas no setor elétrico, buscando formas de produção de energia que não dependam das hidrelétricas. Também necessitamos debater formas de consumo da água, um problema que não é novo, porém ainda pouco falado.

Devemos utilizar as recentes crises de escassez de água e energia elétrica como aprendizado e como reflexão sobre a maneira como consumimos tais recursos. Toda crise é uma ótima oportunidade para aprender, mudar comportamentos e atitudes. Além disso, ela pode e deve ser usada para criar novas oportunidades.

De nada irá adiantar campanhas para redução de consumo se elas ficarem restritas apenas aos períodos críticos. Mais vale a educação e a propagação do consumo consciente do que, a cada período de dificuldade, precisarmos mudar nossos hábitos de forma drástica. Pensar no futuro permite viver melhor até mesmo o presente.


PNE e os riscos da contramão do retrocesso

Janguiê Dinizqua, 20/06/2018 - 11:10

Até 2024, o Brasil precisa ver seus índices educacionais saltarem em proporções desafiadoras se quiser atingir as metas por ele mesmo estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE). Quando, lá em 2014, o governo se propôs a elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% já sabíamos que não seria uma missão simples. No entanto, naquele momento, motivados pelo incremento recente nas políticas públicas do setor educacional, vislumbrávamos um horizonte promissor.

A expectativa era de que, finalmente, a educação ganhasse status prioritário na agenda e no orçamento governamentais. Antes, o já velho discurso de que sem educação não há desenvolvimento não havia sido capaz de garantir, efetivamente, a atenção necessária à pauta. Agora, acreditava-se, as coisas seriam diferentes.

No entanto, o que se viu nos anos imediatamente seguintes foi um verdadeiro balde de água fria. Medidas como a interrupção drástica da expansão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), política pública estratégica de acesso à educação superior, em nada contribuem para o crescimento dos índices de escolaridade da população brasileira. Pelo contrário, podem comprometer a manutenção de indicadores duramente conquistados nas últimas décadas.

Para se ter ideia do quanto estamos distantes de um contexto favorável ao alcance das metas do PNE, análise da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Educa Insights, constatou que entre 2014 e 2016 a taxa bruta de matrículas na educação superior cresceu apenas 1% (de 33% para 34%) e a líquida 2% (de 16% para 18%). Por conta desse desempenho inicial, a projeção feita pelo estudo é de que, para atingir as metas do PNE relacionadas à educação superior, o país precisa apresentar crescimentos anuais de 4,8% nas matrículas totais para alcançar a taxa bruta e de 8,1% nas matrículas de pessoas com idades entre 18 e 24 anos para atingir o alvo estabelecido para a taxa líquida.

Acontece que, em geral, atingir metas demanda mais do que boa vontade, demanda investimento. Nesse sentido, medidas duras como o congelamento de gastos públicos por vinte anos, como ocorreu no final de 2016, representam um contrassenso às demandas e necessidades brasileiras, especialmente quando repercutem em políticas sociais. Hoje, o que o país precisa é colocar mais de 3,6 milhões de novos estudantes em instituições de educação superior (conquista que ainda nos deixaria muito distantes de um cenário de escolarização ideal).

Ao que parece, caminhamos a passos largos no sentido oposto ao que deveríamos trilhar para construir o país vislumbrado no Plano Nacional de Educação. Aos defensores de que a política educacional brasileira precisa focar em outros elementos que não metas, é importante lembrar que, especialmente quando falamos em educação, metas vão muito além de números frios. Aqui, elas também significam mais conhecimento, dignidade e perspectivas de melhores condições de vida para milhões de pessoas que ainda não possuem acesso a todos os níveis educacionais no país.

E se é verdade que contra números não há argumentos, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2017, recentemente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dá o veredito final: pessoas sem instrução possuem rendimento médio de R$ 842 ao passo em que o ensino fundamental completo eleva esse valor para R$ 1409. Já a educação superior completo triplica o rendimento médio do cidadão em relação àquele que só estudou até o ensino médio.

Por tudo isso é que ou fazemos um ajuste urgente e estratégico de rota, de modo a retornarmos ao voo originalmente planejado, ou entraremos em uma contramão perigosa que nos levará de volta a terras longínquas para as quais não gostaríamos e jamais imaginamos retornar.


De volta para o passado?

Janguiê Dinizqui, 10/05/2018 - 12:51

Os recentes debates envolvendo a aplicação da tecnologia na educação, para que a modalidade a distância seja incentivada nos ensinos médio e superior, têm motivado uma espécie de demonização de toda proposta e até do tema. Como se fosse proibido o Brasil revisar sua legislação, antevendo o avanço das possibilidades de se educar nossos jovens e os condenando a viver no passado.

Um exercício interessante é pedir para as pessoas responderem de supetão há quantos anos Steve Jobs apresentou em São Francisco, nos EUA, o primeiro modelo de smartfone e revolucionou nossa sociedade. A resposta é surpreendente: apenas 11 anos.

Precisamos compreender a velocidade com que se desenvolve a chamada era digital e buscar formas para que ela contribua com a redução de algumas mazelas da educação brasileira. O que não podemos é ignorá-la, como se o mundo não estivesse em transformação.

Mas isso só será possível se nossas leis estiverem atualizadas e, importante, permitam que a tecnologia seja aplicada, sem jamais obrigar seu uso. Até porque é notório que nem todo aluno ou escola está apto a mudanças de forma homogênea.

O tempo se encarregará de trazer equilíbrio ao modelo educacional e indicar o caminho adequado. O MEC poderá, então, utilizar os instrumentos tradicionais ao seu alcance, como portarias e decretos, para adequar a legislação.

No ensino médio, por exemplo, que concentra 88% dos alunos na rede pública, ao invés de lamentar a eterna falta de bibliotecas, laboratórios e professores, bem como a dificuldade com o transporte, devemos refletir de que forma computadores portáteis e smartfones podem amenizar a deficiência de aprendizado que os jovens apresentam em sua formação, causada pela falta de infraestrutura.

A discussão na educação superior, com 75% dos estudantes nas instituições particulares, passa pelos mesmos questionamentos. Conselhos profissionais querem fazer crer que um aluno não pode ter parte de seu aprendizado a distância.

Tentam criar uma falsa impressão de que se incentiva a formação de um enfermeiro, por exemplo, que nunca esteve presencialmente com seus professores, sendo que isso jamais foi sequer cogitado.

A regulamentação do MEC prevê que atividades presenciais obrigatórias, definidas em diretrizes curriculares nacionais, continuem sendo realizadas. Mais uma vez, o que se propõe é o uso da tecnologia como instrumento facilitador do aprendizado.

O debate sobre a permissão ou não da inclusão da educação a distância na carga horária dos ensinos médio e superior precisa levar em conta a realidade do aluno.  Se em casa ele joga, assiste os mais diversos vídeos e pesquisa em segundos sobre qualquer tema utilizando um smartfone, que atrativo ele encontrará na sala de aula com carteiras e quadro-negro?

A professora Lucia Dellagnello, doutora e mestre em educação pela Universidade de Harvard, representou recentemente a América Latina na presidência do júri que escolheu, em Paris, os melhores projetos de tecnologia na educação do Prêmio Unesco, organismo da ONU para educação e cultura.

Ela informa que as pesquisas às quais teve acesso indicam que, para a tecnologia ter um impacto positivo na educação, é importante que seja trabalhada em quatro dimensões: visão clara do objetivo, para que e como vou usar a tecnologia; competência dos professores e gestores no uso daquela tecnologia; qualidade dos conteúdos e recursos educacionais digitais desenvolvidos; e infraestrutura. Considera fundamental, também, que a política educacional seja abrangente e de longo prazo.

E cita uma realidade muito próxima da nossa, na Índia, onde é alta a evasão no que seriam os nossos fundamental 2 e ensino médio. “O jovem faz a escola primária, aprende a ler e escrever, e depois tem muita dificuldade em seguir adiante não só por problemas econômicos, mas também porque, em vilas muito pequenas e distantes dos grandes centros, não existe oferta de ensino médio. Não há quem dê aula de física e química nesses lugares, por exemplo”.

A solução, segundo Lucia, se dá por meio de videoaulas a distância, usando uma parceria com a (universidade americana) MIT no desenvolvimento de tecnologia e laboratórios virtuais. “A medida conseguiu baixar o índice de evasão de jovens oferecendo um conteúdo de muita qualidade".

No Brasil, segundo reportagem da Folha de São Paulo (Governo Temer quer liberar até 40% do ensino médio a distância – 20/03/18), em torno de 1,5 milhão de jovens de 15 a 17 anos (14,6% do total) já abandonaram os estudos.

Mesmo assim, ao invés de fazermos nosso dever de casa, vemos entidades respeitáveis e especialistas ignorarem as chances de mudar nossa realidade e pedirem ao ministro Mendonça Filho que impeçam a iniciativa do Conselho Nacional de Educação (CNE) de abrir a possibilidade da utilização da modalidade a distância no ensino médio.

Por que não enxergamos que o problema do Brasil está justamente na falta dos pontos que a professora Lucia indicou: política educacional abrangente e de longo prazo, e não no uso da tecnologia?  Enquanto isso, embarcamos em um trem sem volta rumo ao passado: a proibição, restrição ou qualquer outra forma de impedir a discussão de uma solução moderna, que passa necessariamente pela adoção de modelos ligados à educação a distância.  


Insatisfação generalizada: até quando?

Janguiê Dinizqua, 02/05/2018 - 12:10

Insatisfação é uma palavra que tem estado no vocabulário brasileiro por um tempo talvez longo demais. Escândalos de corrupção, medidas econômicas polêmicas e a escalada da violência nas cidades vêm fazendo com que muitos percam aquele “orgulho de ser brasileiro” que tanto  enchia os nossos olhos. Há razões para acreditar no futuro melhor? Sempre há. Mas a realidade nos faz pensar o contrário cada vez mais.

É clara a insatisfação com a política nacional. Não escapa ninguém. Sejam da situação ou oposição, os políticos são alvos constantes de críticas – e alguns acabam pagando pelos pecados  de outros. Sejamos francos: é difícil não falar mal da classe política frente a todos os escândalos que vemos diariamente nos noticiários. A impressão é que eles passam mais tempo se defendendo de acusações do que fazendo seu trabalho – aquilo para que foram eleitos, ou seja, cuidar dos interesses da população. O próprio governo de Michel Temer amarga níveis baixíssimos de popularidade e aprovação, com algumas medidas impopulares que não parecem estar produzindo os resultados esperados.

Muito se fala da falta de identidade dos partidos políticos, e até mesmo do crescente número deles – a cada momento vemos surgir uma nova sigla ou, mais recentemente, denominações com palavras. Não se sabe mais, no entanto, se os novos grupos surgem para representar demandas de partes da sociedade ou simplesmente para dar voz aos interesses dos próprios membros. Parece que a ideologia política passou a ser cada vez menos importante, o que aumenta a sensação de distanciamento entre representantes e representados.

O aumento astronômico da violência também é algo que assusta e causa indignação. Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte foram os estados que mais tem sofrido com esse fato, mas a situação é generalizada. A intervenção militar na capital fluminense, embora tenha sido autorizada com foco no combate ao tráfico organizado, tem recebido duras críticas da população local por possíveis excessos cometidos pelas tropas, principalmente nas favelas. O brutal assassinato da vereadora carioca Marielle Franco  de seu motorista Anderson Gomes chocou profundamente a todos. Ela que lutava pelos direitos de todos foi claramente silenciada. As investigações prosseguem e nenhum culpado foi encontrado até agora. Um crime como esse ficar sem solução só faz crescer a descrença e revolta na população.

O princípio básico da democracia é primar pelo bem comum e pela igualdade econômica, política e social. Democracia não se sustenta sem diálogo. Assim, os anseios da população precisam ser ouvidos. As dificuldades pelas quais passamos atualmente, tanto na política, quanto no meio social não irão acabar com nosso país, mas também não podemos deixar que as forças que tentam a todo custo fazer o Brasil retroceder se fortaleçam. A mudança começa em cada um de nós, por meio da consciência e da cobrança efetiva aos que nos representam na política. Devemos exigir não apenas uma política mais justa, mas precisamos trabalhar por uma sociedade mais ética.


Somos patriotas na Copa. E depois?

Janguiê Dinizqua, 25/04/2018 - 12:41

Quando a Rússia der o pontapé inicial da partida contra a Arábia Saudita, que abre a Copa do Mundo de 2018, milhões de corações por todo o mundo começarão a bater mais forte. Para nós, brasileiros, a Suíça é o primeiro adversário. Sabemos que, em tempos de Copa do Mundo, o país praticamente para. Mas quais as consequências disso?

Durante a Copa, as pessoas encarnam um sentimento ufanista e vestem as camisas de suas seleções com toda satisfação. Costuma-se dizer que o futebol é o ópio do povo brasileiro. É bem verdade que vem do esporte o sustento de inúmeras famílias, o sonho de futuro de muitas crianças e a felicidade de muitos torcedores. Durante o campeonato mundial, o sentimento de amor ao país se exacerba. Acontece que, enquanto isso, todos o resto perde importância. Aí que mora o perigo. Podemos chamar nosso patriotismo de seletivo?

Talvez esse ufanismo seja um momento de fortalecer a identidade do nosso povo. Quem não se sente mais animado com as vitórias da Seleção? Entretanto, não podemos nos distrair de outras áreas, principalmente da política. É necessário lembrar que estamos em ano de eleições para presidente, governadores, deputados e senadores. É necessário lembrar, também, que os parlamentares atualmente nos cargos podem aproveitar esse momento de “distração” nacional para realizarem manobras maliciosas, visando unicamente seus interesses pessoais.

Enquanto estivermos torcendo por Neymar e companhia, aqueles que foram eleitos para defender nossos interesses – e muitos deles sabem que não serão reeleitos – podem, na surdina, aprovar emendas, leis e projetos que são contrários  aos anseios do povo brasileiro. Daí, ficam prejudicadas a saúde, a educação e os demais direitos de uma forma em geral..

Mas afinal, o que significa ser patriota? Ser patriota é vestir verde e amarelo e aprender a cantar o Hino Nacional? Ou seria se emocionar com 60 mil pessoas ecoando as rimas em estádios lotados? Ser patriota é muito mais que isso. Patriota é todo aquele que ama sua pátria e procura servi-la.

As eleições vêm em outubro, pouco após a Copa. Independente do placar dentro de campo, é nas urnas que precisamos de ótimos resultados. O Brasil clama por mudança, por novos representantes que de fato nos representem. Não adianta ganhar o Mundial se perdemos a disputa contra a corrupção, por exemplo, reelegendo os mesmos políticos profissionais já conhecidos e que tem  participação em esquemas de desvios de verbas,  superfaturamento de obras, recebem propinas, etc.

Peço perdão aos fanáticos pelo futebol, mas o fato é que não podemos ser patriotas apenas durante a Copa do Mundo. O patriotismo deve ser um sentimento diário de todo cidadão. A população deve acreditar nessa união e dirigi-la para buscar melhores condições de saúde, alimentação, ensino e moradia. Mas, muito mais que isso, a população precisa acreditar nesse sentimento porque apenas assim podemos construir realmente a “pátria amada, Brasil”. Vamos torcer e festejar, viver a Copa, mas sem esquecer a nossa realidade, que atualmente não está muito festiva. Cabe a nós torná-la mais alegre, e uma das armas é o voto.


A importância da autoconfiança na carreira

Janguiê Dinizqua, 18/04/2018 - 11:32

O mercado de trabalho é, cada vez mais, exigente e são inúmeras as características essenciais para quem quer ter sucesso, seja como empregado ou empreendedor. Entre essas características está a autoconfiança, que nada mais é do que ter confiança em si mesmo. Mas, ao contrário do que muitos pensam, ter esta postura não é tão simples. Mesmo quando se tem muito conhecimento sobre determinado assunto ou talento para executar certo tipo de tarefa, mas não existe confiança no próprio potencial, os resultados não vêm.

A autoconfiança abrange muito mais que ter conhecimentos técnicos ou práticos, experiência de mercado, etc. Trata-se de acreditar no seu potencial, se achar capaz de alcançar seus objetivos, acreditar em si mesmo. É uma característica necessária em tudo o que fazemos. Pessoas autoconfiantes inspiram confiança e transmitem mais credibilidade. Acabam sendo mais influentes e poderosas.

Claro que ninguém nasce autoconfiante e essa característica pode e deve ser desenvolvida com o tempo. E por que ser autoconfiante é tão importante? Pessoas autoconfiantes não recuam diante dos obstáculos que encontram  no caminho pessoal e profissional. Não desistem, mesmo quando tudo parece conspirar contra seus objetivos. Sabem que podem chegar ao sucesso melhorando suas próprias estratégias. Cultivam bom humor, que influencia no ambiente de trabalho, e procuram tentar aprender sempre mais para fazer o seu melhor.

Prezados, o sucesso acontece quando o conhecimento e/ou o talento encontram uma mente vencedora. O que eu quero dizer com isso? É bem simples: conhecimento e talento sozinhos não chegam a lugar algum. É preciso mais que isso. Para ser protagonista, é preciso querer mais. Nossa mente é o nosso melhor trunfo e é preciso usá-la ao nosso favor, saber explorar a sua infinita capacidade de aprender coisas novas e superar desafios.

A história nos traz grandes exemplos: Walt Disney foi demitido de seu trabalho em um jornal por sua falta de imaginação e boas idéias;  Abraham Lincoln perdeu sete eleições antes de se tornar presidente dos Estados Unidos; Steve Jobs foi demitido da própria empresa;  J.K. Rowling foi rejeitada por diversas editoras antes de conseguir publicar o primeiro livro de “Harry Potter”. O que há em comum em todos esses exemplos: eles não desistiram e acreditaram em seu potencial. Uma pessoa com autoconfiança toma para si a responsabilidade sobre seus atos e consegue reunir forças para se levantar e seguir em frente.

A importância da autoconfiança está na capacidade de um profissional se sobressair em ambientes cada vez mais competitivos e que exigem uma postura diferenciada daqueles que almejam alcançar o reconhecimento pelo seu desempenho. Por isso, reúna esforços para se informar rotineiramente sobre tudo o que diz respeito à sua área de atuação e ao meio social no qual você está inserido.

Há uma frase certa: o fracasso chega para todos. A diferença será a maneira como você irá lidar com ele. Quanto mais autoconfiante você se tornar, mais seguro você será em seu trabalho, na realização de seus sonhos e projetos. Ignore críticas destrutivas e foque apenas no seu autodesenvolvimento, dessa forma, você vai conquistar o que deseja e em pouco tempo.


Estratégias para crescer profissionalmente

Janguiê Dinizqui, 05/04/2018 - 10:36

Todos sabemos que o conceito de sucesso é relativo e individual. Entretanto, muitas pessoas consideram sucesso como crescimento profissional. Conseguir um bom cargo, ter estabilidade e bom salário é o que a maioria dos profissionais que estão no mercado almejam. A grande questão é: em um mercado extremamente competitivo, como é possível se destacar diante de tantos profissionais?

De um modo geral, o que a maioria das empresas espera de seus funcionários é qualificação, compromisso, ética profissional e que ele seja produtivo na função determinada. Porém, e infelizmente, todas essas características não garantem um futuro promissor dentro de nenhuma empresa. Essas são exigências mínimas que qualquer profissional do mercado tem que assumir no transcorrer da vida.

Planejar sua carreira não é algo simples, que deve ser feito ainda quando jovem e depois basta apenas deixar as coisas seguirem seu caminho. Crescer, profissionalmente falando, de forma consistente e em ritmo acelerado é algo que requer planejamento, revisão e adaptação constante de atitudes. O segredo para se destacar no mercado vai muito além de inteligência e talento.

A verdade, meus caros, é que mais difícil do que chegar ao cume é permanecer por lá. O melhor caminho para se sobressair na equipe e ter sucesso na carreira é se tornar indispensável. Isso significa que se você almeja ter mais do que um simples emprego, deverá mostrar muito mais do que meras habilidades exigidas e estar disposto a fazer melhor do que os seus concorrentes fazem.

A primeira regra para quem busca o sucesso profissional é praticar o ”kaizen”, ou seja, o aprimoramento contínuo. Para crescer profissionalmente você precisa buscar conhecimento através dos estudos. É preciso fazer cursos técnicos, de extensão, ensino superior, pós-graduações. Porém, mais importante que buscar o conhecimento é colocá-los em prática. Para crescer profissionalmente você precisa sair do óbvio,  da sua zona de conforto, ou seja, assumir a condição de correr riscos. Não tenha medo, calcule, planeje e encare tudo com confiança.

Nem sempre um profissional conseguirá se destacar pelo talento. Já dizia Dave Weinbaum: “Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço”. Pessoas que não se conformam com o comum, que não desistem no primeiro “não”, que vencem suas limitações, que planejam com cautela as suas atividades, que são proativas e que buscam qualificação contínua são as que se destacam.

Vivemos em um período que tudo muda muito rápido e, no setor profissional, muita coisa pode mudar em um ano. Não se acomode, queira sempre mais, tenha fome se sucesso! Trabalhe com honestidade, humildade, sinceridade, proatividade, exerça liderança e busque sempre algo positivo para você e a empresa que trabalha. Tenha em mente de que sucesso e fracasso caminharão sempre juntos, lado a lado, e a sua jornada será do tamanho da sua determinação.


Como evitar a evasão de nossos cientistas (brain drain ou fuga de cérebros)

Janguiê Dinizqua, 04/04/2018 - 11:40

Já se tornou lugar comum ouvir o termo “brain drain” ou fuga de cérebros. Brain drain, fuga  de capital humano ou de cérebros  consiste na emigração de indivíduos detentores de alto grau de conhecimento   técnico ou  científico para países mais desenvolvidos, devido a  fatores como conflitos étnicos,  guerras,  riscos à saúde,   instabilidade política, mas,  principalmente,  como é o caso do Brasil, à instabilidade econômica com a consequente  carência  de investimentos em pesquisa nas áreas de  ciência e tecnologia, que, por via de consequência gera a falta de  oportunidades de  empregos  em nosso país.

Aquelas cabeças mais especializados em suas áreas do conhecimento humano, são atraídos para trabalhar em países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e Europa, já que lá conseguem benefícios pessoais,  reconhecimento da carreira, e principalmente, tem  oportunidades de desenvolver pesquisas em ciência e tecnologias, e o mais importante,  facilidade de empregos  com remuneração adequada.

O termo foi criado pela Royal Society of London for the improvement of natural knowledge (Real Sociedade de Londres para o melhoramento do conhecimento natural), fundada em 1660, destinada a promoção do conhecimento científico.

É importante registrar que os EUA, mesmo tendo o maior número de cientistas em seu território, são o maior receptador dos melhores cérebros do mundo, visando desenvolver novas tecnologias de ponta para que possam ser patenteadas naquele país.  Não é à toa que a maioria das inovações tecnológicas tiveram origem naquele país, principalmente no Vale do Silício e Califórnia, embora tenham sido criadas por estrangeiros, principalmente de nacionalidades  indianas, árabes, europeus, latinos, inclusive brasileiros, residentes naquele país.

Se por um lado a emigração das cabeças pensantes para diversos países como os EUA trazem consequências financeiras benéficas para aquele país, já que aquelas cabeças ajudam o receptor a desenvolver novas tecnologias de ponta,  por outro lado, o país perdedor,  fica carente de  um grande potencial de inovações, que seriam desenvolvidas por seus cientistas  nacionais, o que  é extremamente nefasto e economicamente prejudicial ao país  perdedor. Que o diga o Brasil.

As fugas de cérebros são extremamente comuns entre os países mais pobres do planeta, e também entre as nações em desenvolvimento, como países africanos, ilhas do Caribe, países da América latina, além do Brasil, onde  existe carência de investimento em pesquisa da ciência e tecnologia, e por via de consequência as habilidades e competências não são  valorizadas e recompensadas monetariamente. Ilustrativamente, citamos um estudo realizado na América Latina, no ano 2000,  no qual revelou  que naquele ano a Argentina perdeu 2.9% dos seus profissionais, o Brasil 3.3%, o Chile 5.3%, o Equador 10.9%,  a Colômbia 11% e o México 14.3%.

Nesse sentido, o Brasil, que embora  para alguns não seja considerado um  grande perdedor de pesquisadores, segundo a CAPES e o CNPQ,  só  em  2015 quase 50 mil  cientistas saíram do Brasil para universidades estrangeiras, especialmente de setores da Medicina, Engenharia, Cinematografia e inclusive produção gráfica, haja vista que  certos fenômenos de bilheteria  hollywoodiana são frutos de pesquisadores brasileiros, a exemplo do filme Matrix, considerado uma revolução cinematográfica e o desenho  animado A Era do Gelo I e II.

Ampliando o quadro de considerações, frisamos que no atual estágio de sucateamento das entidades de pesquisa e universidades públicas brasileiras, o  famigerado programa Ciência Sem Fronteiras, que, a priori,  constitui-se num incentivo ao intercâmbio científico como estratégia  pública desenvolvimentista, por um lado é extremamente positivo para os pesquisadores, mas,  por outro, demonstra ser  dinheiro jogado fora, altamente nefasto para o país, pois abre os olhos dos cientistas para as condições mais favoráveis encontradas no estrangeiro, como, por exemplo, os laboratórios de alta tecnologia,  recebendo altos salários como contraprestação remuneratória, diferentemente das condições e dos salários que obteriam no Brasil.

Com efeito, cumpre elencar as causas secundárias e principais do brain drain no Brasil:

1) Causas secundárias:

1. 1) mão de obra acessória altamente desqualificada.  A qualidade da educação brasileira fica na 76ª posição entre 129 países de acordo com a Unesco, perdendo até para países africanos como Zâmbia e Senegal, além de estar abaixo de todos os países da América do Sul. As escolas são ruins, sem estruturas e equipamentos, professores mal preparados e mal pagos.  Isso repercute no ensino superior.  As Instituições  recebem os alunos mal preparados. A má qualidade do ensino no Brasil é fruto de um paradoxo, gasto altamente desproporcional. A maioria do orçamento do MEC vai para universidades públicas onde estudam cerca de um milhão de alunos,  e uma pequena parte do orçamento vai para as escolas de nível básico, onde estudam mais de 40 milhões de crianças e jovens. Gasta-se  muito com os universitários, que na maioria podem pagar (88% de Medicina, 80% Odonto, 50% Direito). Em média, 9 mil dólares ano, e pouco com alunos do ensino básico: aproximadamente mil dólares. Só resta aos  menos favorecidos ingressarem nas Instituições  públicas em carreiras de pouca procura. Ex. Pedagogia, Letras, ou trabalhar para pagar uma Instituição privada. Na sociedade digital, a baixa qualidade do ensino no Brasil  afeta o crescimento do PIB, haja vista que é uma ameaça a competitividade das empresas para competir na economia global e um obstáculo ao crescimento do país;

 

1.2) dentre todos os países, o Brasil é um dos mais corruptos do mundo. As verbas não chegam ao destino final.

1.3) um dos mais burocráticos países do mundo. Extremamente burocrático para conseguir equipamentos e insumos para pesquisa e até para criar qualquer empresa de pesquisa;

1.4) tem uma das maiores taxas de juros do planeta, logo, qualquer financiamento para realizar pesquisa em ciência e tecnologia encarece a  pesquisa, sobremaneira;

1.5) uma das maiores cargas tributárias do mundo. Paga-se imposto sobre tudo e um alto percentual ;

1.6) onde 50% dos empreendimentos vão a falência e são fechados em até 3 anos de atividades.

 

2) Causas principais

2.1) baixo  investimento em  inovação,  pesquisa da ciência  e do desenvolvimento tecnológico. Primeiramente, é importante asseverar que gastos com inovação e pesquisa da ciência e tecnologia não são gastos, são investimentos, pois ajudam o país a se desenvolver. O Brasil até antes do governo Temer investia cerca de 1% de seu PIB com ciência e tecnologia, o que já era muito baixo e insuficiente para o desenvolvimento do país. Basta compararmos com a União Europeia, que pretende destinar 3% do PIB para pesquisa e desenvolvimento até 2020. Nos EUA, até 2017, já se aplicava em torno de 2,7% do PIB e a China vem aumentando substancialmente os investimentos em inovação e pesquisa da ciência e da tecnologia. Aqui no Brasil, entretanto, em 2017, o orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações (no governo Temer o Ministério das Comunicações foi incorporado ao de Ciências e Tecnologia) que  já era muito baixo, de 5,8 bilhões, foi diminuído para 3,2 bilhões, sendo  700 milhões destinados para Comunicações e 2,5 bilhões para Ciência e Tecnologia. Com o corte drástico interromperam-se pesquisas, programas e bolsas de pesquisas acelerando a fuga dos cientistas para outros países.  Isso tem repercutido de forma negativa no meio internacional além de deixar a comunidade científica brasileira extremamente preocupada. Se antes da redução do orçamento a situação já era ruim, agora está muito pior.   O resultado desse corte trará trágicas consequências para o desenvolvimento do país, infelizmente é o que veremos num futuro próximo. Nessa perspectiva, segundo Luiz Davidovich, em épocas de crise, os países devem aumentar o investimento em pesquisa, ciência, desenvolvimento e inovação tecnológica, já que constitui-se na “porta de saída da crise”, pois isso é o que tem feito diversos outros países há muito tempo. O corte no orçamento "vai penalizar o Brasil por décadas", constituindo-se numa “bomba de efeito retardado que estoura lá na frente”.

2.2) falta de conexão entre as universidades e o mercado de trabalho (indústrias e empresas em geral). No Brasil, poucas empresas têm parcerias com as universidades para produzir pesquisas. Podemos citar como exceção, dentre outras, a Petrobras que ganhou prêmios internacionais na exploração de petróleo em águas profundas, através de cooperação com várias universidades brasileiras, e a Embraer, que em cooperação com o departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, transformou-se na maior empresa de compressores do mundo. Aqui no Brasil não temos nenhuma universidade no “The Times Higher Education University 2015/2016”, prestigiosa publicação que elege as melhores instituições de ensino dedicadas à pesquisa ao redor do globo.

Arrematando, cumpre asseverar que para manter nossos pesquisadores em nosso país, trabalhando em inovação e pesquisa para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia é imprescindível a adoção de políticas que evitem que sejamos  um "doador de cérebros". E isso só é possível através de: 1) altos investimentos em inovação e pesquisa da ciência para o desenvolvimento científico e tecnológico, ou seja, se tornando um polo de inovações científicas e tecnológicas,  para que os pesquisadores tenham oportunidades de desenvolver suas pesquisas e possam ter carreiras iguais e  empregos bem remunerados;  2) maior conexão entre as universidades e o mercado de trabalho (indústrias). Ex. No Japão, os universitários de Engenharia, Informática, etc. São convocados pelas indústrias, no final do curso, para desenvolver ideias novas a serem postas no mercado. Muitas delas, de fato, foram como projetos de carros “futuristas” que são constantemente elaborados;  3) oferecer benefícios ou incentivos fiscais para as empresas privadas em caso de  inovação em novas tecnologias ou ideias que sejam desenvolvidas por seus funcionários.

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