Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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O PSDB condiciona o sucesso do PT

Adriano Oliveiraseg, 03/11/2014 - 09:08

O PT é criativo e sabe comunicar. O PSDB não é criativo e não sabe comunicar. Esta é a diferença principal entre os dois partidos. FHC deixou três legados fundamentais para o Brasil: controle da inflação, Lei de Responsabilidade Fiscal e privatização. Porém, nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, o PSDB relegou estes legados. Os legados fernandohenriquista não foram defendidos por Serra em 2002 e nem por Alkmin em 2006. Estas eleições representaram as grandes oportunidades para o PSDB defender os legados de FHC.

Lula, nas disputas eleitorais de 2002 e 2006, incorporou os legados de FHC nas agendas eleitoral e governamental. Tal incorporação não era publicizada nas campanhas eleitorais. Mas era praticada no exercício do governo. Por exemplo: Lula, ao exercer o mandato de presidente, não criticou fortemente as privatizações. Ao contrário, buscou parceria e diálogo com a iniciativa privada. A satisfação do mercado para com o governo foi para Lula condição primordialpara o exercício do bom governo.

Lembro-me da Carta aos Brasileiros divulgada por Lula na campanha de 2002. A Carta aos Brasileiros representou o ponto de partida para o bem sucedido governo Lula. O PSDB, à época, não percebeu isto. Lula foi mais além: diante das condições econômicas benéficas advindas das eras FHC, o petista ampliou os beneficiários dos programas sociais, criou novas políticas sociais, ofertou crédito e ampliou o consumo. Em nenhum momento o legado de FHC foi questionado por Lula no exercício do governo. Mas apenas em período eleitoral.

Dilma foi eleita em 2010. E neste ano reeleita. No início do seu governo, Dilma adotou o capitalismo de estado. Mas se arrependeu em parte, pois realizou parcerias público-privadas. Em razão da crise mundial, Dilma ampliou os gastos e reduziu impostos. Estas agendas, aparentemente, são contraditórias com a do PSDB. Mas não são. Desconfio que caso o PSDB estivesse no governo, tomaria atitudes semelhantes, já que existia uma crise e diante desta, a ação estatal é necessária.

Dilma disputou a reeleição sob fortes críticas do PSDB e utilizou o medo para vencer a eleição. A era FHC é comparada com as eras Lula e Dilma. Tal comparação ressuscita o medo advindo da era FHC. Mas por que o medo foi ressuscitado? Esclareço, inicialmente, que os índices econômicos do último mandato de FHC não foram bons. Mas a era FHC tinha, como já frisei, legados positivos.

Porém, sabiamente, Dilma apresentou as partes negativas do governo FHC, quais sejam: privatização e desemprego. Contudo, a privatização é apresentada pelo PT como algo negativo na disputa eleitoral. Mas no exercício da governança, parcerias público-privadas são aceitas pelo governo do PT.

Na campanha de 2014, o PSDB, através de Aécio, optou por falar de mudanças. Mas qual mudança? Os legados das eras FHC e Lula eram aprovados por grande parte do eleitor. Não existia nova agenda. O governo Dilma é uma continuidade do governo Lula. Então, o governo Dilma incorporou as agendas de FHC e Lula. Portanto, qual mudança Aécio desejava fazer? 

Aécio falou na campanha eleitoral para os eleitores anti-petistas, os quais crescem, aparentemente, a cada eleição. Mas estes, neste momento, não são suficientes para eleger um presidente. Portanto, o PSDB para vencer a próxima disputa presidencial precisa apresentar nova agenda, a qual venha a representar para o eleitor uma alternativa que não desperte medo. Caso isto não ocorra e o governo Dilma seja um sucesso, o PT poderá ficar 20 anos no poder.


As metamorfoses dos eleitores do PSDB e do PT

Adriano Oliveirasex, 31/10/2014 - 11:13

Análises inocentes conduzem a erros interpretativos e afirmações precipitadas. Após a vitória de Dilma Rousseff, apressados desenvolveram diversas explicações para a nova derrota do PSDB e nelas apresentaram diversos culpados. As explicações predominantes frisam que foi o Nordeste que possibilitou a vitória de Dilma. Sim, correto. Mas não só o Nordeste.

O sucesso eleitoral de Dilma nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro contribuiu para a vitória do PT. O medo da volta ao passado fernandohenriquista e as conquistas das classes C e D advindas das eras Lula e Dilma também foram outras causas.  Neste sentido, o medo e o reconhecimento das conquistas estiveram presentes fortemente entre os eleitores que moram no Nordeste e nos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Mas, diante de tantas explicações fracamente elucidativas, proponho observar os mapas eleitorais a seguir, os quais mostram o desempenho dos vitoriosos em cada eleição presidencial. Vejam no mapa 1, que em 1994, o Brasil estava azul, pois FHC venceu no primeiro turno. Inclusive, o Nordeste ficou azul. Portanto, o PT não é o proprietário dos votos dos nordestinos. Em 1994, FHC reinou eleitoralmente no Nordeste.

Mapa 1 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

mapa 2 mostra que o Brasil continuou azul na disputa eleitoral de 1998, inclusive, mais uma vez, FHC venceu no Nordeste – Ver mapa 2. Em 2002, ocorre mudança de cor. O vermelho passa a predominar. Neste caso, Lula venceu Serra, candidato do PSDB, no segundo turno. Portanto, constatamos a primeira metamorfose do eleitorado. Tal metamorfose ocorreu em todas as regiões. O que era azul passou a ser vermelho – Ver mapa 3.

Mapa 2 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

Mapa 3 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

Em 2006, o azul volta, mas não intensamente. A volta do azul é constatada fortemente na região Sul – Veja mapa 4. Portanto, observamos nova metamorfose, a qual sugere retorno às eleições de 1994 e 1998. Nestes anos, a cor azul predominou nas disputas presidenciais.

Mapa 4 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

Na eleição presidencial de 2010, a cor azul avança e o vermelho é fortemente observado nas regiões Norte e Nordeste – Ver mapa 5. Neste ano, Dilma é eleita com o apoio de Lula. Na última eleição presidencial, o azul continua a avançar – Ver mapa 6. E o vermelho continua a predominar nas regiões Norte e Nordeste. Dilma é reeleita.

Mapa 5 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

Mapa 6 – Desempenho dos presidenciáveis – Fonte: UOL Eleições 

Os mapas eleitorais revelam que: 1) O PT não é proprietário dos eleitores do Nordeste. O PSDB, na era FHC, já conquistou eleitores nordestinos; 2) Desde 2002, o Brasil é vermelho. Tal  cor é fortemente verificada, no decorrer dos anos, nas regiões Norte e Nordeste; 3) Lentamente, a cor azul avança, no caso, o PSDB reconquista eleitores. Neste momento, indago: em 2018, o Brasil continuará vermelho ou o azul avançará fortemente?


Riscos e oportunidades do governo Dilma

Adriano Oliveiraqua, 29/10/2014 - 10:17

Governantes precisam avaliar riscos e oportunidades. As conjunturas oferecem riscos e oportunidades aos governantes. Os riscos estão presentes na conjuntura em formas de eventos e desafios. Ambos precisam ser detectados previamente pelos governantes. Com isto, eles adquirem condições de criar estratégias eficientes para lidar com eles. Porém, tais estratégias nascem da interpretação sábia da conjuntura.

Quais são os desafios do futuro governo Dilma? São vários e visíveis. Aumento do investimento público em infraestrutura, transparência fiscal, retomada do crescimento econômico, reforma política e enfretamento da corrupção. Os três primeiros são os desafios econômicos. A reforma política é o desafio institucional. E o último, o desafio moral.  Caso os desafios não sejam superados, os riscos estarão presentes ao longo do novo mandato da presidente. Saliento que a contemplação dos dois primeiros desafios possibilitará o crescimento econômico.

A superação dos desafios econômicos trará aumento da popularidade do governo. Por consequência, ofertará condições para que ele construa relação frutífera com o Congresso Nacional e consiga fazer, através de plebiscito ou referendo, a reforma política. Porém, se os desafios econômicos não forem superados, a presidenta não terá boa relação com o Congresso Nacional e, claro, com a opinião pública.

A sensação de bem-estar dos eleitores advirá do crescimento econômico. Mas também da manutenção da reduzida taxa de desemprego e na construção de sentimentos de bem-estar para todas as classes, os quais poderão surgir através do aumento da renda e do consumo. A contemplação do desafio econômico é a causa principal para a conquista do apoio da opinião pública. E, por consequência, a conquista do apoio parlamentar.

Afastar escândalos de corrupção do governo é outro desafio de Dilma. O sucesso na superação do desafio econômico tem condições de encobrir escândalos de corrupção. Porém, qual o tamanho do crescimento econômico que permite que atos de corrupção no governo passem a ser problemas secundários para a opinião pública? Diante desta dúvida, o adequado é afastar escândalos de corrupção do governo.

Quais serão as consequências eleitorais caso ocorra a superação dos desafios econômico, institucional e moral? A primeira consequência virá nas eleições de 2016. Ou seja: o PT adquire condições de conquistar prefeituras, em particular as das cidades maiores. A segunda consequência será observada na próxima eleição presidencial. Neste caso, a presidente Dilma obtém condições de fazer o sucessor, em particular, o ex-presidente Lula.

Mas se os desafios apresentados não forem superados? O contrário irá ocorrer. Ou seja: o PT não adquire condições de ter bons desempenhos eleitorais nas eleições de 2016 e 2018.


Por que Dilma venceu?

Adriano Oliveiraseg, 27/10/2014 - 10:08

Antes da construção de uma boa estratégia, é necessária a interpretação da conjuntura. Os mecanismos de causa e efeito precisam ser decifrados na realidade social para que estratégias e predições eleitorais aconteçam. As estratégias e predições nascem de premissas advindas da conjuntura. 

Após as manifestações de junho de 2013, a popularidade da presidenta Dilma Rousseff declinou fortemente. Por consequência, surgiu a seguinte premissa: “Dilma perderá a eleição”. Mas por que ocorrerá isto? Dai surge a causa, a qual é a segunda premissa: “O povo quer mudança”. Inclusive, diversas pesquisas de opinião sugeriam que os eleitores clamavam, majoritariamente, por mudanças. 

Os eleitores desejavam mudança. Porém, não desejavam, necessariamente, mudanças com troca de governo, ou seja, com rupturas. Existiam eleitores, os quais contribuíram para o sucesso eleitoral de Dilma na eleição presidencial de 2014, que reconheciam méritos nas eras Lula e Dilma. Porém, desejavam ajustes. A insatisfação com a presidente não sugeria, necessariamente, a derrota iminente. Pois estratégias servem para recuperar popularidade de governantes. 

Outra premissa foi a “Onda Marina”. Diversas pessoas acreditaram e defenderam a tese de que Marina era a candidata ideal para vencer a eleição.  Se ela não pudesse ser candidata, o apoio dela seria fundamental. Como frisei em capítulo no meu recente livro, as manifestações foram provocadas pelo aumento da passagem de ônibus. E os seus principais atores pertenciam às classes A e B. Então, faltavam as classes C e D. Não que estas não estavam insatisfeitas. Estavam. Mas elas receavam perder as conquistas advindas da era Lula. Portanto, Marina era uma candidata ideal para uma pequena parte do eleitorado. 

No decorrer da trajetória eleitoral, Marina assume a candidatura presidencial. O seu acelerado crescimento nas pesquisas eleitorais sugeriu, para alguns, a sua vitória. Porém, Marina sofreu processo de desconstrução em virtude dos seus erros. Marina foi desconstruída pelo PT. Com a desconstrução, a “Onda Marina” recuou fortemente. 

No início do segundo turno, as premissas falsas continuaram a valer. Ou seja: o eleitor, majoritariamente, desejava mudança. Em razão disto, Dilma não tinha condições de vencer a disputa. Dai surge a “Onda Azul”.  Assim como ocorreu com a “Onda Marina”, a “Onda Azul” sofreu processou de desconstrução. E Dilma recuperou, no decorrer da campanha, favoritismo para vencer o pleito presidencial. 

Por que Dilma venceu? Em virtude de premissas equivocadas construídas. O desejo de mudança existia. Entretanto, não com troca, necessariamente, de presidente. Tal premissa foi desconsiderada. E com isto, a maioria dos eleitores foi desprezada, pois a premissa única em vigor era: o todo deseja mudança de presidente. Mas na verdade era uma parte do todo. A premissa equivocada possibilitou a ilusão das “Ondas”, as quais não passaram de sonhos.


Dilma tem moderado favoritismo para vencer a eleição?

Adriano Oliveiraqua, 22/10/2014 - 11:59

A conjuntura é favorável a Dilma. As estratégias de desconstrução provenientes da campanha de Dilma são eficientes. Estas são as duas principais conclusões trazidas pela nova pesquisa do Datafolha (22/10/2014). No início do segundo turno, a conjuntura era favorável a Aécio. Ele entrou no segundo turno em suposta ascendência eleitoral. Explodiram os escândalos da Petrobrás. Porém, Aécio, nesta conjuntura, cometeu erro fatal: não agiu para desconstruir o governo Dilma. Além disto, um evento inesperado surgiu: o envolvimento do PSDB no escândalo da Petrobrás. Diante deste fato, a sua estratégia de explorar intensamente o escândalo da Petrobrás perdeu importância para parcela dos eleitores.

Porém, reconheço: o desafio de Aécio é árduo. Como desconstruir o governo Dilma? Já frisei por diversas vezes que renda e emprego são as variáveis que importam para o eleitor – Vejam artigo no meu recente livro “Eleições não são para principiantes”, http://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=23511 . O PIB é um adereço. Portanto, Aécio, assim como outros candidatos da oposição, insistiu em falar do PIB. Parte do eleitorado estava inseguro e pessimista com a economia no início de 2014. Porém, grande parte tinha emprego e renda.

Aécio sofre ainda com a herança negativa de FHC na memória de grande parte dos eleitores. Dilma foi, mais uma vez, sábia: em vez de falar de futuro, falou do passado. Comparou a era FHC com as eras Lula/Dilma. Por várias frisei: esta campanha falará do passado. E não do futuro! A comparação das Eras possibilitou, como mostra a figura 1, a melhora da expectativa da maioria do eleitorado para com a economia. A comparação também trouxe o medo para a mudança e contribuiu para o crescimento de Dilma neste segundo turno.

Figura 1 – Percepção econômica dos brasileiros – Datafolha, 22/10/2014. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1536237-otimismo-com-economia-aumenta-e-ajuda-dilma-na-disputa-eleitoral.shtml

Tal comparação provocou a classe C. Se no início do segundo turno a classe C, majoritariamente, estava com Aécio, o medo trazido pela campanha do PT fez parte dela optar por Dilma. E neste segmento, como bem mostra a nova pesquisa do Datafolha, Dilma cresce e Aécio recua. No início do segundo turno frisei: a classe C decidirá esta eleição (Vejam: http://adrianooliveiraconjuntura.com/2014/10/11/construindo-cenarios-o-que-fara-a-classe-c-diante-das-estrategias-dos-candidatos/.  E volto a repetir: a classe C decidirá esta eleição. Deste modo, os recentes movimentos da classe C sugerem que Dilma tem moderado favoritismo para vencer a eleição. Mas não só em razão disto.

Observem na figura 2 que Dilma cresceu fortemente no Sudeste. E se manteve estável no Nordeste. Pois bem: se Dilma cresce no Sudeste e Aécio não cresce no Nordeste, de quem é a vantagem?Sudeste e Nordeste são as duas regiões com a maior densidade populacional. Dilma tem ampla vantagem no Nordeste. Enquanto Aécio não tem mais ampla vantagem no Sudeste.

Dilma cresceu no decorrer do segundo turno em todos os estratos econômicos. Não apenas na classe C. Portanto, o movimento de crescimento de Dilma existe e é desconcentrado, pois ocorre em todos os estratos. Dilma também cresceu, na trajetória do segundo turno, em todos os segmentos que compõem o nível de instrução. E, por fim, cresceu no segmento feminino do eleitorado.

Figura 2 – Comportamento dos eleitores – Datafolha, 22/10/2014. 
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1536238-na-comparacao-com-fhc-dilma-parece-levar-vantagem.shtml

Conclusãoo crescimento de Dilma é nítido. Portanto, não posso afirmar que existe situação de empate técnico. Entretanto, afirmo que se Dilma ganhar, será por uma margem pequena de votosMas Aécio tem chances de vencer a disputa?

Ressalto mais uma vez: a conjuntura não favorece o candidato do PSDB. Ele perdeu o controle das suas estratégias, pois é Dilma que pauta os seus discursos e Guia Eleitoral. Os escândalos da Petrobrás saíram, aparentemente, da pauta eleitoral. E a exploração deles não surtiram os efeitos esperados sobre o desempenho de Dilma – Em recente artigo alertei sobre tal possibilidade:  http://adrianooliveiraconjuntura.com/2014/10/18/o-uso-dos-escandalos-de-corrupcao-e-estrategia-adequada-nesta-eleicao-presidencial/ Mas Cisnes Negros existem. Estes são eventos não previsíveis, os quais podem vir à torna no último debate presidencial. E com isto motivar o sucesso eleitoral de Aécio.

Aécio poderá ter bom desempenho em Minas Gerais e em São Paulo. Apesar de que o problema da “falta de água”, o qual a mídia explora fortemente neste segundo turno, tem condições de trazer perdas para o competidor do PSDB em São Paulo. E, por fim, a abstenção eleitoral. Mas isto não significa que a abstenção favorecerá Aécio. A abstenção pode favorecer Dilma.

O que devemos considerar para construir a predição eleitoral: aspectos geográficos ou socioeconômicos? Opto pelos socioeconômicos, pois estes são produzidos e ganham vida através dos indivíduos, ou melhor, dos eleitores. Os aspectos socioeconômicos estão inseridos nos aspectos geográficos. Deste modo, são os aspectos socioeconômicos que movimentam e caracterizam os aspectos geográficos.

Considerando os aspectos socioeconômicos trazidos pela nova pesquisa do Datafolha concluo que: 1) Existe moderada tendência de crescimento de Dilma. Porém, tal tendência não é forte2)Existe moderada tendência de declínio de Aécio. Porém, tal tendência não é forte3) A conjuntura não favorece o candidato do PSDB; 4) A conjuntura favorece Dilma; 5) Dilma tem moderado favoritismo para vencer a eleição.


O uso dos escândalos de corrupção é estratégia adequada nesta eleição presidencial?

Adriano Oliveirasab, 18/10/2014 - 11:34

A História das eleições presidenciais brasileiras não apresenta casos de corrupção como variáveis principais que explicam o sucesso ou insucesso dos candidatos a presidente da República. A farta literatura sobre as eleições presidenciais brasileiras evidencia que a ideologia explicou o sucesso eleitoral de Collor em 1989. Ideologia e o plano Real explicaram o sucesso eleitoral de FHC em 1994. Tais teses são defendidas por André Singer em seu brilhante livro “Esquerda e Direita no eleitorado brasileiro”.

A aprovação da gestão do primeiro governo FHC, bem-estar econômico e desejo de continuidade são as variáveis que explicam a reeleição de FHC em 1994 para Yan de Souza Carreirão no livro “A decisão do voto nas eleições presidenciais”. Claudio Luiz Lourenço em tese de Doutorado intitulada “Abrindo a caixa-preta: da indecisão à escolha na eleição presidencial de 2002” mostra que a avaliação negativa da gestão de FHC e as características dos candidatos possibilitaram o sucesso eleitoral do candidato do PT, Lula, na eleição de 2002.

As emoções dos eleitores são as variáveis utilizadas por Jairo Tadeu Pimentel Júnior para explicar as escolhas dos eleitores em 2006. A dissertação “Razão e emoção: o voto na eleição presidencial de 2006” mostra, através da análise de variadas pesquisas eleitorais, que os escândalos de corrupção diminuíram o entusiasmo para o voto em Lula no primeiro turno. Por isto, a eleição findou no segundo turno.  Porém, de acordo com Pimentel, a diminuição do entusiasmo foi um fator. A avaliação positiva da gestão de Lula consolidou o seu sucesso no segundo turno.

O reconhecimento por parte dos eleitores da melhoria de vida, especificamente, o sentimento de mobilidade social, é para Vitor Peixoto e Lúcio Rennó as razões do sucesso eleitoral de Dilma Rousseff na disputa eleitoral de 2010. Esta hipótese é apresentada pelos autores no artigo “Mobilidade social ascendente e voto: as eleições presidenciais de 2010 no Brasil”.

Observem que escândalos de corrupção não aparecem na literatura como forte variável que explica as escolhas dos eleitores nas eleições presidenciais. É claro que, segundo Pimentel Júnior, os escândalos de corrupção ocorridos no decorrer da campanha de 2006 proporcionaram o fim da eleição no segundo turno. Porém, o escândalo de corrupção não foi a causa principal. Diante disto, indago: os escândalos de corrupção interferirão fortemente na escolha do eleitor na eleição presidencial de 2014?

Considero que a Corrupção tem a oportunidade única nesta eleição para ser o ator principal que irá condicionar a escolha dos eleitores. As notícias de corrupção advindas da Petrobrás são abundantes. Porém, se as denúncias de corrupção atingiram, em um primeiro momento o PT, atingiu, no segundo momento, o PSDB. Além de outros partidos.

No momento 1, eleitores podem ter sido influenciados a não votar no PT em virtude das denúncias de corrupção – Hipótese 1No momento 2, eleitores podem ter sido influenciados a não votar no PSDB em virtude das denúncias de corrupção – Hipótese 2Então, a escolha dos eleitores no momento 1 foi anulada em razão dos eventos trazidos pelo momento 2? Esta é a indagação fundamental.

momento 2 pode ter provocado reflexão entre os eleitores que foram afetados pelos eventos do momento 1 – Hipótese 3. E em virtude desta reflexão, as decisões dos eleitores tomadas no momento 1 podem ter sido reconsideradas em virtude dos eventos trazidos à tona no momento 2 – Hipótese 4. Suponho que os momentos 1 e 2 criaram curtos-circuitos nas cabeças dos eleitores – Hipótese 5Com isto, os eleitores não farão escolhas eleitorais com base nos escândalos de corrupção – Hipótese 6. Será?

Destaco que o PT deverá utilizar, certamente, os escândalos de corrupção como sendo eventos comuns a todos os partidos. Com isto, o PSDB perderá o seu principal discurso, qual seja: “Existe corrupção na Petrobrás”. A essência da estratégia do PT é: “Todo político calça 40”.  O PSDB, por sua vez, tentará envolver Dilma nos escândalos. Então, indago: o PSDB conseguirá alcançar o seu objetivo?

Continuo com a tese: vencerá esta eleição presidencial o candidato que tiver mais munição para desconstruir o outro. Entretanto, indago: os escândalos de corrupção na Petrobrás são munições adequadas? Ou indo além:  o uso dos escândalos de corrupção é estratégia adequada?


Por que os nordestinos votam majoritariamente em Dilma?

Adriano Oliveiraqui, 09/10/2014 - 13:53

A discussão entre FHC e Lula sobre as escolhas eleitorais dos nordestinos trará consequências negativas para a candidatura de Aécio. O PT sabe transformar erros dos adversários em benefícios. Isto ocorreu durante o primeiro turno. A cada frase de Marina, uma propaganda contra ela era criada pelos estrategistas do PT. Tal atitude não é demérito para o PT. A oposição é que precisa ser sábia. Aliás, quando os intelectuais se pronunciam contra o PT, em especial quanto às escolhas eleitorais dos nordestinos, eles beneficiam a candidatura Dilma no Nordeste. Os intelectuais precisam ser sábios e estratégicos.

O problema relevante que surge diante das intrigas entre FHC e Lula é: por que os nordestinos votam majoritariamente em Dilma? No segundo semestre deste ano, a graduada em Ciência Política da UFPE, Luma Neto, defendeu, sob a minha orientação, a monografia “A economia e a escolha do eleitor: de FHC a Dilma”. Para os que estão ansiosos quanto à uma explicação científica sobre as decisões eleitorais dos nordestinos, recomendo tal trabalho. Com grande volume de dados empíricos, Luma Neto mostra que nos estados do Nordeste durante a era Lula, a taxa de desemprego diminuiu e a renda e o PIB cresceram. Portanto, de imediato, já encontro razões para o voto maciço em Dilma Rousseff.

Porém, Luma Neto mostra que em diversos estados do Brasil que ocorreram variação positiva da renda e do PIB, além da diminuição do desemprego, a candidata Dilma, na disputa presidencial de 2010, não conseguiu obter sucesso eleitoral. Caso semelhante ocorreu com o candidato Lula na disputa presidencial de 2006. Portanto, as variáveis econômicas não são suficientes para explicar o desempenho dos presidentes em diversos estados do Brasil. Porém, ressalto, que Luma Neto, através de regressão logística, mostra que quando a média do PIB per capita é alta e a média da taxa de desemprego é baixa, especificamente no período de 2006 a 2010, o candidato da situação tem maiores chances de vencer. Neste sentido, a explicação econômica do voto importa, mas não conduz a explicações satisfatórias.

Então, o que explica o voto dos nordestinos em Dilma? Continuo a insistir na variável econômica. Neste sentido, o gráfico 1 sugere que a variação positiva da renda, em particular no Piaui, estado em que Dilma conquistou expressivo porcentual de votos no primeiro turno da eleição presidencial de 2014, incentiva os eleitores a votarem na candidata do PT.

Gráfico 1 – Variação da renda dos eleitores – Fonte: Valor Econômico 

A figura 1, por sua vez, apresenta o número de municípios por estados contemplados com benefícios do PAC 2 na era do PT. Ao olhar para a figura, constato que na eleição presidencial de 2010, Dilma venceu na maioria dos municípios que receberam ações do PAC, em particular nos municípios do Nordeste. É importante esclarecer que o PAC contempla os municípios com retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões-caçamba. Ressalto que reportagem do Valor Econômico mostrou que o PAC 2 foi utilizado intensamente no primeiro turno da campanha presidencial de 2014 em municípios com até 50 mil habitantes para evitar o crescimento de Marina Silva – http://www.valor.com.br/eleicoes2014/3680402/dilma-tenta-blindar-grotoes-contra-marina.

Figura 1 – As obras do PAC e as escolhas dos eleitores – Fonte: Valor Econômico 

Mais existem dois dados importantes, os quais não foram detectados por Lula e FHC no debate sobre as escolhas eleitorais dos nordestinos. A última pesquisa do Datafolha realizada às vésperas da eleição do primeiro turno mostra que o Nordeste concentrar o maiou número de municípios com até 50 mil habitantes. E são nestes municípios que a presidenta Dilma tem expressivo porcentual de votos. Mas diante desta constatação, o problema proposto volta à tona: por que os nordestinos votam majoritariamente em Dilma? Outro dado relevante: a última pesquisa do Datafolha realizada antes da eleição do primeiro turno mostra que o Nordeste concentra 61% dos eleitores com renda familiar até R$ 1.448,00. E é neste intervalo de renda, que Dilma conquista alto porcentual de eleitores em razão dos benefícios dos programas sociais, em particular do Bolsa Família – Hipótese.


Por que Dilma mantém boas votações nas principais capitais do Nordeste?

Adriano Oliveiraqua, 08/10/2014 - 09:44

As pesquisas de opinião mostravam, antes do início da campanha eleitoral, que os eleitores das capitais estavam inquietos, ou seja, desejavam mudança de governo. Era nas capitais que a aprovação do governo Dilma obtinha as menores taxas de aprovação. As razões para a inquietude dos eleitores das capitais poderiam ser diversas, dentre as quais, a de que nas cidades com maior número de habitantes, o custo de vida e o desconforto urbano são mais intensos. Além disto, apesar dos programas sociais do governo Dilma, como o Bolsa Família, Pronatec e Prouni estarem presentes nas capitais, eles não tinham forte influência na decisão dos eleitores, assim como ocorre em cidades menores, não capitais.

Destaco, ainda, que as manifestações de junho de 2013 ocorreram fortemente nas capitais. Para diversos analistas, as manifestações representaram desejo de mudança do eleitor, e, portanto, desejo de mudança de governo. Em virtude disto, as manifestações representam variáveis causais que possibilitaram o aumento da desaprovação do governo Dilma. Portanto, as pesquisas realizadas antes do inicio da campanha eleitoral mostravam que as capitais eram espaços caracterizados por eleitores de oposição ao governo Dilma.

Após o resultado do primeiro turno, observo que: 1) Dilma venceu nas eleições de 2010 e 2014 nas seguintes capitais do Nordeste: São Luis, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa e Salvador. Portanto, nas duas últimas eleições presidenciais, Dilma venceu em seis capitais do Nordeste; 2) Em 2010, Dilma venceu no Recife. Porém, perdeu em 2014; 3) Na capital alagoana, Maceió, Dilma perdeu em 2010 e 2014; 4) Em Aracaju, Dilma perdeu em 2010, mas venceu em 2014.  Portanto, Dilma venceu em 2014 em sete capitais do Nordeste. E perdeu em duas.

Na capital paulista, Dilma perdeu em 2010 e 2014. Lembro que foi em São Paulo que as manifestações de 2013 foram iniciadas. A atual presidenta perdeu em Belo Horizonte em 2010 e 2014. E na capital fluminense, venceu em 2010, mas perdeu em 2014. Em Vitória do Espirito Santo, Dilma perdeu em ambas as eleições. Constato que as capitais do Sudeste são espaços oposicionistas à Dilma. 

Na região Sul, Dilma perdeu, em ambas as eleições, nas capitais do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os candidatos de oposição à Dilma venceram também, em 2010 e 2014, nas capitais: Campo Grande, Goiana, Cuiabá, Rio Branco e Boa Vista. Dilma venceu, em ambas as eleições, em Macapá, Porto Velho e Belém. Em 2010, venceu em Palmas. Mas em 2014 perdeu.

Observo que: Dilma venceu a eleição presidencial de 2014 em onze capitais. Em 2010, ela tinha vencido em treze capitais. Então, perda de duas capitais de uma eleição para a outra. Os candidatos da oposição venceram na eleição de 2014 em catorze capitais. No ano de 2010, a oposição à Dilma venceu em treze capitais. Portanto, desde 2010, candidatos da oposição vencem mais em capitais do que Dilma.

Neste sentido, as manifestações de junho de 2013 não podem ser consideradas como variáveis que possibilitou mais vitórias dos candidatos da oposição nas capitais. A oposição já vencia na maioria das capitais desde 2010. Por outro lado, a hipótese de que os eleitores das capitais estão mais inquietos em virtude da desorganização urbana e do custo de vida aparenta ser verdadeira. Porém, tal tese não serve para a maioria das capitais do Nordeste. Dai surge a seguinte indagação: por que Dilma mantém boas votações nas principais capitais do Nordeste

Figura – Votação dos candidatos nas capitais – Fonte: Valor Econômico   


A força do eduardismo e o favoritismo de Paulo Câmara

Adriano Oliveiraqui, 02/10/2014 - 15:46

Erros passados devem ser considerados na avaliação do presente. O PTB errou. O PT também errou. O PTB errou ao se aliar com o PT no 1° turno nesta eleição para o governo. Com isto, enfraqueceu a possibilidade da realização do 2° turno. O PTB errou ao desprezar Lula e Dilma desde o início da campanha. O PTB errou ao ter desprezado a força do eduardismo. Portanto, os erros do PTB possibilitaram que Paulo Câmara adquirisse forte favoritismo para vencer a eleição no próximo domingo.

O PT comete equívocos estratégicos desde 2012 quando optou por retirar João da Costa da disputa para prefeito do Recife. Com isto, permitiu a consolidação do eduardismo na capital pernambucana. O PT errou ao não escolher João Paulo para ser candidato a governador. Com mais esta atitude, o PT fortaleceu o PSB em Recife. Portanto, PTB e PT contribuíram decisivamente para o fortalecimento de Paulo Câmara.

O PSB foi sábio. O ex-governador Eduardo Campos no auge da sua avaliação lançou Geraldo Júlio como candidato a prefeito do Recife em 2012. Geraldo venceu e passou a representar a escolha de Eduardo que “deu certo“. O eduardismo já existia na eleição de 2012. Capacidade de trabalho, carisma, sensibilidade social e bom gestor eram as características do governador Eduardo Campos atribuídas pelos eleitores em pesquisas qualitativas. São estas características que formam o eduardismo. E o eduardismo, como a vitória de Geraldo Julio mostrou, tem força para influenciar a decisão dos eleitores.

Diante da conjuntura propicia, a qual foi construída, em parte, pelos erros do PT e PTB, Paulo Câmara defendeu  o legado de Eduardo Campos. Câmara desprezou a crítica pessoal advinda do PTB e optou por defender a continuidade. Aliás, a continuidade é a essência da eleição deste ano em Pernambuco. E as pesquisas do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) mostram isto com clareza.

Observem que: 1) 67% dos eleitores afirmam que Pernambuco mudou para melhor nos últimos anos; 2) Neste universo, 71,4% asseveram que Eduardo Campos foi o principal responsável pela mudança; 3) 84% acreditam que Pernambuco continuará mudando para melhor; e 4) 50,2% acreditam que Paulo Câmara é o candidato que tem condições de fazer com que Pernambuco continue mudando para melhor – Fonte: IPMN, 02/10/2014 – (Registro TRE:  29-30 SET: PE 00035/2014).

Em todas as pesquisas do IPMN realizadas neste ano verifiquei o desejo de continuidade do eleitor. Em decorrência, constatei, no decorrer da trajetória eleitoral, que o eleitor desejava continuidade em virtude do eduardismo. Portanto, se o eleitor desejava continuidade, ou seja, continuar mudando, era óbvio que Paulo Câmara conquistaria eleitores à medida que fosse reconhecido pelos sufragistas como o candidato que tinha o apoio de Eduardo Campos.

No decorrer da campanha, Eduardo Campos foi vítima da tragédia. Inicialmente, a comoção, como era esperado, em razão do ineditismo da tragédia, possibilitou forte comoção. Em seguida, acomoção eleitoral surgiu. Ou seja: o candidato Paulo Câmara conquistou eleitores rapidamente, já que a morte trágica do governador Eduardo Campos possibilitou que Paulo se tornasse conhecido celeremente. Porém, a comoção eleitoral não substituiu oeduardismo, o qual já existia. Portanto, não foi a comoção eleitoralque possibilitou o crescimento eleitoral de Paulo Câmara. Foi oeduardismo. A comoção eleitoral acelerou o processo de conhecimento de Paulo como candidato de Eduardo Campos e fortaleceu o eduardismo.

O desempenho do candidato numa eleição pode ser prognosticado. Basta que a conjuntura seja adequadamente interpretada. E pesquisas sábias sejam realizadas. Neste sentido, a conjuntura, caracterizada pelo eduardismo, fortalece Paulo Câmara. Portanto, Câmara, o candidato que representa para parte dos eleitores a continuidade e a defesa do legado de Eduardo Campos, deve ser eleito governador no próximo domingo.

Gráfico 1 – Desempenho dos candidatos –  Registro TRE: 28-29 JUL: PE 00010/2014; 25-26 AGO: PE 00018/2014; 8-9 SET: PE 00022/2014; 22-23 SET: PE 00028/2014; 29-30 SET: PE 00035/2014

Desempenho dos candidatos ao Governo de Pernambuco - Registro TRE: 28-29 JUL: PE 00010/2014; 25-26 AGO: PE 00018/2014; 8-9 SET: PE 00022/2014; 22-23 SET: PE 00028/2014; 29-30 SET: PE 00035/2014


Teses e achismo

Adriano Oliveiraqui, 03/07/2014 - 11:52

A defesa de uma tese requer interpretação científica do dado advindo da sociedade. O achismo representa a defesa do desejo e da paixão. Então, a defesa da tese é exercício científico. A defesa do querer é ato apaixonado. Políticos e estrategistas sábios são guiados por teses. Políticos e estrategistas guiados pelo desejo são apaixonados pela candidatura ou pelo candidato. A interpretação da conjuntura eleitoral requer a validação ou a falsificação de teses. Com isto, estratégias eleitorais eficazes são construídas.

Três teses sobre as eleições presidenciais foram apresentadas ao universo midiático após as manifestações de junho de 2013. A primeira proposição foi que os levantes de junho representavam intensa inquietação social. Neste caso, eleitores estavam insatisfeitos e sinalizavam, através das manifestações, que não mais desejavam reeleger Dilma. Foi previsto, inclusive, que intensas manifestações ocorreriam durante a Copa do Mundo.

As manifestações de 2013 proporcionaram o surgimento da segunda tese, qual seja: os eleitores brasileiros, majoritariamente, desejavam mudança. Diversas pesquisas de opinião realizadas no primeiro semestre de 2014 mostraram isto. Entretanto, enquanto a mudança era verbalizada pela maioria dos eleitores, Dilma continuava a liderar as pesquisas eleitorais. Deste modo, era necessária interpretação sofisticada e parcimoniosa do desejo de mudança expresso pelos sufragistas.

A terceira tese era que a realização da Copa do Mundo e a desorganização da infraestrutura ofertada aos turistas e brasileiros intensificariam inquietações sociais que seriam expressas por manifestações. Em razão disto, a competividade dos presidenciáveis sofreria alteração. Neste caso, Dilma declinaria, e Aécio e Eduardo conquistariam eleitores.     

Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha divulgada em 03 de julho revela que Dilma continua a liderar a corrida presidencial, com 38% de intenções de voto. Aécio tem 20% e Eduardo, 9%. A aprovação da presidente Dilma alcança 35%. 65% afirmaram que as manifestações durante a Copa dão mais vergonha do que orgulho. E 60% estão orgulhosos com a organização da Copa.

Portanto, as três teses apresentadas foram falseadas. Neste caso, isto evidencia que elas foram formuladas por políticos e estrategistas apaixonados. Portanto, os dados advindos das pesquisas de opinião não foram adequadamente interpretados e códigos sociais vindos de pesquisas qualitativas foram desconsiderados. Urge aos presidenciáveis refletirem sobre as suas estratégias futuras.