Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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Lava Jato, eleitores e 2016

Adriano Oliveirater, 03/03/2015 - 11:32

Esta semana será decisiva para a dinâmica da política brasileira. A divulgação da lista dos políticos que estão e continuarão a ser investigados em decorrência da Operação Lava Jato poderá trazer mudanças nas visões de mundo dos políticos e empresários e reforçar a percepção negativa que os eleitores têm dos políticos. Porém, é importante considerar também que a Operação Lava Jato poderá trazer tranquilidade para o governo Dilma entre os eleitores e no Parlamento. 

Caso a lista a ser divulgada pelo Ministério Público Federal contenha políticos de diversas agremiações partidárias, inclusive do PSDB, a CPI da Petrobrás será enfraquecida, e os parlamentares poderão ter receio em pressionar Dilma Rousseff, já que a imagem negativa do Congresso Nacional será reforçada entre os eleitores. Não é desprezível considerar que a relação entre Dilma e o Parlamento seja facilitada em virtude do enfraquecimento da imagem dos parlamentares perante a opinião pública. 

O enfraquecimento da CPI da Petrobrás em razão da divulgação da lista da Operação Lava Jato também favorecerá a governabilidade da presidente Dilma Rousseff. Portanto, a Operação Lava Jato e a esperada lista dos envolvidos são variáveis independentes que fortalecerão o governo Dilma no Parlamento – Cenário 1. Caso não fortaleça de imediato, dará condições a ela de, junto com a recuperação econômica do país, caso venha a ocorrer, pavimentar, com mais ação política, o apaziguamento da sua relação com o Parlamento e a recuperação da sua popularidade – Cenário 2

Porém, existe outro cenário (Cenário 3): a presença na lista da Operação Lava Jato de alguém próximo ao governo Dilma. Com isto, a tese do impedimento do governo Dilma Rousseff poderá ganhar força. Contudo, tal cenário, diante das informações até o instante, apresenta-se remoto. 

A lista advinda da Operação Lava Jato não enfraquecerá as manifestações programadas para o dia 15 de março. Porém, fortalecerá a segmentação dos reclames dos manifestantes. Ou seja, os manifestantes irão às ruas reclamar do governo Dilma, do Parlamento, dos políticos e dos gestores que estão à frente da administração pública, por exemplo, prefeitos. 

Embora partidos de oposição e diversos analistas prevejam que a Operação Lava Jato trará o fim precoce do governo Dilma e do PT, observo que tal prognóstico é equivocado. A Operação Lava Jato colocará todos os partidos em um mesmo nível de reconhecimento por parte da opinião pública. Com isto, a opinião pública não saberá diferenciar o insucesso inicial do governo Dilma e os problemas presentes em seu contexto social. Não saberá diferenciar, no âmbito da corrupção, qual é a agremiação partidária mais corrupta. 

Portanto, a lista da advinda da Operação Lava Jato poderá condicionar a recuperação de Dilma Rousseff em sua relação com o Congresso e a sua popularidade entre os eleitores. E fortalecerá a imagem negativa dos políticos na opinião pública. Diante disto, quais serão os desejos do eleitor na disputa municipal de 2016? 

Os desejos de mudança, independente da avaliação do prefeito, podem estar presentes na visão de mundo dos eleitores – hipótese. Diante da tal possibilidade, prefeitos, candidatos à reeleição, devem monitorar os sentimentos dos eleitores. Lembro que os desejos de mudança podem favorecer os candidatos da oposição.  


CPI e Pesquisas

Adriano Oliveirasex, 20/02/2015 - 09:55

Fui convidado a construir estratégias para um candidato à prefeitura de Marte na próxima eleição que ocorrerá em 2016. Estou entusiasmado. Afinal de contas, terei a oportunidade de realizar pesquisas e orientar estrategicamente um competidor que concorrerá na eleição de outro planeta. O que devo fazer, inicialmente, para definir as estratégias do candidato? 

Pesquisas qualitativas e quantitativas são os instrumentos necessários e imediatos para a construção de estratégias. Através delas identificarei os desejos e os sentimentos dos eleitores, decifrarei a conjuntura política, perceberei as aspirações do eleitorado, compreenderei os riscos e as oportunidades de cada competidor. De posse de todas estas informações, estarei apto a propor estratégias iniciais para o candidato. 

Não é adequado criar estratégias desprezando pesquisas. A construção de estratégias eleitorais não demanda achismo. Demanda interpretação científica da realidade e do comportamento do eleitor. Quando estou diante de candidatos, eles, geralmente, propõem um conceito de campanha. E de antemão, indago: este conceito adveio de pesquisas ou é achismo? 

Resumir a pesquisa quantitativa em intenção de voto e rejeição dos competidores é ato falho. Os candidatos que hoje têm 5% podem vencer a eleição. E os competidores rejeitados em 2015, podem ser os admirados no próximo ano. Estratégias eficientes, advindas de pesquisas inteligentes, proporcionam a redução da rejeição de candidatos e a conquista de eleitores. 

Diante do exposto, indago: qual é a utilidade da CPI das pesquisas eleitorais? Por que as pesquisas eleitorais são fortemente questionadas?A tese de que pesquisas eleitorais influenciam a escolha dos eleitores é verdadeira. Elas influenciam parte dos eleitores, mas para tal feito ocorrer, a pesquisa precisa de credibilidade e de condições eleitorais propícias. 

Em certa eleição, numa cidade de Pernambuco, um apostador de eleições disse para o candidato X que apostou R$ 200.000,00 em sua vitória em razão de que a pesquisa feita por “Y tinha dado ele na frente”. Neste caso, a credibilidade e a reputação de Y condicionaram, inicialmente, o ato do apostador. A quantia e a informação da pesquisa contagiaram outros apostadores, os quais também são eleitores. Mas quantos apostadores existem no universo total de eleitores? 

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) entre os eleitores recifenses em outubro de 2014 constatou que 21% dos sufragistas reconheceram que as suas escolhas para presidente da República sofreram influência das pesquisas. Assim como sofreu e sofre das políticas sociais, das notícias da imprensa, e, em municípios menores, das fofocas em torno de assuntos privados. 

A pesquisa serve como informação para o eleitor. Assim como as notícias da imprensa. Proibir a divulgação de pesquisa é ato arbitrário numa democracia, mesmo diante da possibilidade de que ela pode influenciar a decisão dos eleitores. A estratégia ótima para os que hoje estão incomodados com a divulgação de pesquisas é construir estratégias para estar à frente nas pesquisas vindouras e com isto tentar influenciar parte dos eleitores.


Riscos para Dilma

Adriano Oliveiraseg, 09/02/2015 - 09:01

A tempestade atinge o governo Dilma. A tempestade abala a imagem de Dilma. Pesquisa Datafolha (08/02/2015) revela que 44% dos brasileiros reprovam o seu governo. As expectativas econômicas dos brasileiros estão pessimistas: (1) 81% consideram que a inflação aumentará; (2) 62% afirmam que o desemprego crescerá; (3) e 55% asseveram que a condição econômica do país piorará. 

No âmbito do Escândalo da Petrobrás, 77% dos brasileiros acreditam que Dilma tinham conhecimentos dos escândalos de corrupção na Petrobrás. No que condiz a imagem da presidente, 47% considera-a desonesta e 54% falsa. Portanto, existe déficit de aprovação do governo e da imagem de Dilma Rousseff.

Diante de tais dados, é possível considerar a hipótese de impeachment da presidente da República? Sim. A análise do possível impedimento de Dilma Rousseff requer a interpretação das ameaças que estão presentes e as que estão por vir. Neste instante, Dilma está frágil no Congresso Nacional. A vitória de Eduardo Cunha (PMDB) para presidente da Câmara dos Deputados e o bom desempenho do senador Luiz Henrique (PMDB) na eleição para a presidência do Senado revelam a fragilidade da presidenta. 

O desgaste da imagem do governo Dilma e da sua imagem revelados pela pesquisa do Datafolha (08/02/2015) mostram que entre os eleitores a Operação Lava Jato ocasionou transtornos para a presidente. O que a Operação Lava Jato revelará mais? Esta é a indagação chave. Será que mais eventos surgirão ao ponto de aumentar a impopularidade de Dilma? Outra indagação necessária.  

A ameaça de racionamento de energia e o pessimismo econômico da maioria dos eleitores representam combinação explosiva para incentivar o aumento da reprovação da presidente entre os eleitores. Entretanto, o aumento da reprovação, caso ocorra, possibilitará intensas e grandes manifestações populares? A atual impopularidade da presidente Dilma permitirá intensas e grandes manifestações?

São as possíveis ocorrências de manifestações populares que ameaçarão fortemente o governo Dilma. Caso ações nos âmbitos político e econômico não sejam realizadas pela presidente, as quais possibilitem efeitos positivos, as condições de hoje permanecerão. E assim ocorrendo, o impedimento da presidente Dilma será uma realidade. 

O fortalecimento da tese do impedimento de Dilma Rousseff depende do mercado, da imprensa, do Congresso Nacional e dos eleitores. Medidas que atendam os desejos do mercado possibilitam noticiário positivo. Superação dos desafios econômicos também. Por consequência, parlamentares inquietos tendem a se acalmar. Assim como os eleitores. Porém, se estes decidirem ir às ruas, mercado, imprensa e parlamentares ficarão extremamente inquietos. Com isto, o impedimento de Dilma poderá acontecer.   


Dilma e Câmara

Adriano Oliveiraseg, 02/02/2015 - 14:46

As eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (ALEPE) chamaram intensamente a atenção da mídia e, por consequência, de parte da opinião pública. Ambas as disputas tinham atores relevantes concorrendo à presidência.

Eduardo Cunha (PMDB) e Guilherme Uchôa (PDT) não precisaram do tradicional apoio do chefe do Poder Executivo para conquistar a preferência dos parlamentares. Cunha construiu o seu favoritismo para a eleição da presidência da Câmara através da instalação de laços de proximidade com os parlamentares, em particular, os denominados do baixo clero. Eduardo Cunha representa uma árvore que proporciona “sombra” aos deputados diante das necessidades da vida parlamentar. 

Guilherme Uchôa também é uma árvore que proporciona “sombra” aos parlamentares perante os desafios do cotidiano. Mas além da “sombra”, Uchôa é árduo defensor das demandas dos parlamentares, independente de qual sigla o deputado pertença. Além disto, Guilherme Uchôa é um escudo para qualquer questionamento feito por parte da imprensa ao Palácio Joaquim Nabuco ou a qualquer parlamentar. 

Era previsível o sucesso eleitoral de Eduardo Cunha e Guilherme Uchôa. Porém, Dilma Rousseff, presidente da República, e os seus estrategistas, optaram por enfrentar Eduardo Cunha e escolheram Arlindo Chinaglia (PT) como o seu concorrente. Segundo a imprensa, a presidente e os pensadores do governo agiram intensamente para derrotar Cunha. Portanto, o sucesso eleitoral de Eduardo Cunha representou a derrota de Dilma Rousseff

Em Pernambuco, Paulo Câmara, governador, não se pronunciou publicamente quanto à sua preferência na disputa pela presidência da ALEPE. O seu partido, o PSB, optou, publicamente, pela neutralidade e não lançou candidato à presidência da ALEPE. Diante deste quadro, parlamentares do PSB votaram majoritariamente em Guilherme Uchôa. Em razão de Câmara não ter declarado apoio publicamente a nenhum competidor e nem o PSB ter ofertado candidato, o sucesso eleitoral de Uchôa não representa a derrota de Paulo Câmara

Entretanto, considero que o sucesso eleitoral de Diogo Moraes (PSB) na disputa pela primeira-secretaria da ALEPE sugere desavenças no PSB. Os estrategistas dos PSB expuseram, desnecessariamente, as fissuras do partido ao decidirem apresentar candidato para a primeira-secretaria. 

Dilma Rousseff, como presidente, tinha, teoricamente, a obrigação de lançar candidato à presidência da Câmara. E assim fez e perdeu. Paulo Câmara, diante do cargo, também tinha teórica obrigação. Porém, optou por não enfrentar publicamente o poder de um aliado histórico do PSB e uma grande árvore que oferta sombra a todos.    


Conceito e governo

Adriano Oliveiraqua, 28/01/2015 - 09:37

Governos eleitos precisam ter conceitos. São os conceitos que irão possibilitar a identidade dos governos. A identidade é um atalho para que os eleitores avaliem os governos. Conceitos, portanto, representam a identidade do governo e servem para atrair a atenção do eleitor. 

Os conceitos podem ser intencionalmente criados. Neste caso, estrategistas do governo decidem previamente a identidade do governo. Ao definir a identidade, ou seja, de como o governo será reconhecido pelo eleitor, estratégias são instituídas em busca de tal fim. As estratégias que visam à construção da identidade do governo estão nos âmbitos da comunicação e da gestão. 

Um governo decide ser reconhecido por ações sociais – O governo que promove a inclusão social. Diante desta identidade previamente determinada, ações nos âmbitos da gestão e da comunicação são criadas e desenvolvidas. Neste caso, o governo criará políticas que visem à inclusão social. Por outro lado, diante dos desafios do desenvolvimento econômico e de combate à inflação, governos desenvolverão ações em buscas de tais objetivos.

Observem, então, que qualquer governo está diante de desafios. A intenção para a superação dos desafios possibilita o surgimento do conceito do governo. Os desafios representam as demandas diretas ou indiretas do eleitor. As demandas diretas advêm de pesquisas de opinião pública – qualitativas e quantitativas. Neste caso, o governante procurará atender as demandas do eleitor. Por exemplo: pesquisas revelam que a oferta de água é o principal problema. Portanto, o governante agirá para amenizar ou solucionar o problema da água. 

As demandas indiretas são as que o governante escolhe, diante dos diversos desafios/problemas presentes. Deste modo, o governante escolhe o desafio a ser superado. Por exemplo: pesquisas revelam que as demandas do eleitorado são oferta de água e saúde pública qualificada. Neste caso, o governante opta por concentrar enfaticamente as suas ações no âmbito da saúde e com isto escolhe por ser reconhecido como o gestor que “resolveu” o problema da saúde. 

A solução para as demandas diretas ou indiretas é o objetivo de qualquer governante sábio. Classifico como governante sábio, aquele que deseja ser reeleito sem dificuldades. Ou aquele que opta por fazer parte da História. O encontro do conceito do governo é ação estratégica que condiciona o sucesso dos atores políticos.


Crises e previsão

Adriano Oliveiraqui, 22/01/2015 - 10:12

Crises são previsíveis. Porém, o exercício da previsão não faz parte da conduta de diversos atores políticos. A busca pelo sucesso eleitoral e a miopia são incentivos para a não construção de previsões. A arrogância administrativa é outra causa. Neste caso, governos bem avaliados acreditam piamente que sempre serão bem avaliados. Porém, tal premissa é falsa, pois eleitores mudam de opiniões, pois têm sentimentos.

Era previsível a crise da água? A opinião de diversos especialistas sugere que sim. Portanto, qual é a surpresa com a ausência de água nas torneiras? A crise energética era previsível? Sim, pois a ausência de chuvas frequentes e o atraso na entrega de novas hidrelétricas mostravam e mostram que é possível o racionamento de energia. Conflitos no sistema penitenciário são previsíveis? Sim, em razão de que a maior eficiência das polícias possibilita mais prisões. Dai surge a necessidade de mais presídios e de maior celeridade da Justiça. Greves de polícia são previsíveis? Sim, pois greves de polícia são corriqueiras em qualquer estado.

Se crises são previsíveis, por que gestores silenciam diante das crises? O silêncio é necessário, pois enquanto não existir solução concreta para a crise, gestores não devem se pronunciar. Porém, as crises não podem ser corriqueiras no governo. Portanto, a busca de soluções para as crises deve conter instrumentos que evitem novas crises em um mesmo governo e até a solução por completa do problema que motivou a crise.

Crises requerem sabedoria estratégica, a qual não combina com arrogância administrativa. Reconhecer a crise perante os eleitores é estratégia adequada, pois insere na imagem do gestor a característica da humildade. E mais do que isto: eleitores passam a crer na solução da crise, em virtude da sinceridade do governante. O reconhecimento da crise precisa estar associado à solução. Não adianta reconhecer a crise e não apresentar solução.

Gestores sábios devem se preocupar constantemente com os eleitores. Estes são voláteis. Em dado instante aprovam, admiram, acreditam e confiam nos governantes. Porém, crises têm o poder de mudar a opinião dos eleitores para com o gestor. Neste sentido, eleitores têm expectativas positivas para um dado governante. Contudo, crises têm condições de inverter tais expectativas. Com isto, o gestor adquire a antipatia e a reprovação de parte dos eleitores.

Antipatia e reprovação são sentimentos não adequados para gestores. Lembro que a cada dois anos ocorrem eleições. O governador reprovado pode, por exemplo, contaminar a reeleição do seu candidato a prefeito. O prefeito, candidato à reeleição, pode optar por se distanciar politicamente e eleitoralmente do governador reprovado. Em razões destes fatos, crises partidárias surgem. Presidente da República mal avaliado em virtude das crises diminui a sua força para manter ou construir coalizões partidárias.

Crises, portanto, são eventos previsíveis e não desejados. O desafio dos gestores é único: como lidar com a crise sem perder popularidade. A contemplação de tal desafio requer sabedoria estratégica, a qual, como já dito, caracteriza-se por reconhecer a crise e, por consequência, agir para debelá-la com eficiência.


O novo PL

Adriano Oliveiraqua, 21/01/2015 - 14:16

O Brasil tem excesso de partidos. O Brasil tem pluralidade de partidos. Em razão da pluralidade, coalizões, que possibilitam a governabilidade, são formadas. A pluralidade de agremiações partidária incentiva a representação das diversas visões de mundo dos brasileiros. Os partidos brasileiros não são ideológicos e o excesso deles fortalece a ausência de programas de governo programáticos.

As assertivas apresentadas são verdadeiras. Embora sejam contraditórias. A verdade da afirmação depende das visões de mundo e do julgamento de cada observador. Portanto, não é frutífera a discussão sobre o quantitativo de partidos políticos. Aliás, é exaustiva e inconclusiva. Entretanto, novas agremiações possibilitam novas dinâmicas política e eleitoral.

Prevejo novas dinâmicas caso o Partido Liberal (PL) seja criado pelo sábio Gilberto Kassab. A primeira dinâmica a ser possivelmente modificada é a relação de força entre PMDB e PT no Congresso Nacional, em particular, na Câmara dos Deputados. O PL deverá receber parlamentares, prefeitos e governadores de diversos partidos, dentre os quais, PSB, DEM, PSDB e PMDB. Além disto, a fusão entre PL e PSD é uma possibilidade. Independente da fusão, o PL adquirirá força para se contrapor ao PMDB.

No conflito PL e PMDB, o PT, ou melhor, o governo Dilma, pode optar por ter o PL como parceiro em alguns instantes da relação Legislativo-Executivo. Ao fazer esta opção, o PMDB perderá força junto ao governo Dilma.  A criação do PL enfraquece o poder do PMDB no governo Dilma – Hipótese. O surgimento do PL tende a enfraquecer quantitativamente os partidos PSB, PSDB, DEM e PMDB. Prevejo que o PSB tende a ter perdas de parlamentares e governadores. Tais perdas lhe colocarão na base do governo Dilma.

O PL será abrigo para candidatos nas próximas eleições municipais. Qual será o parceiro preferível do PL na eleição de 2016? O PL não terá parceiros preferíveis. A conjuntura de cada município ditará os rumos do partido. Porém, em Pernambuco, é possível que o PL venha a ofertar candidato a prefeito do Recife. Tal possibilidade é crível, pois o PL poderá receber atores relevantes da política pernambucana insatisfeitos com a Frente Popular de Pernambuco.

O PL será mais um instrumento de conquista de espaços de poder. Não espere do PL, ou de qualquer outro partido, programa ideológico. O PL contribuirá para a construção de novas dinâmicas política e eleitoral, já que fortalecerá atores, em particular, Gilberto Kassab. 


Vazios em Pernambuco

Adriano Oliveirasex, 19/12/2014 - 11:57

Ciclos políticos e eleitorais não são perenes. Mas podem vir a ser duradouros. Eventos ocorridos na trajetória possibilitam a perpetuação ou o fim dos ciclos. Getúlio Vargas, por exemplo, liderou ciclos políticos e eleitorais. Sob a sua liderança, o estado brasileiro foi construído e passou por transformações. Vargas conseguiu cativar por logo tempo eleitores, em particular, os trabalhadores.

Eduardo Campos construiu, fortaleceu e consolidou ciclos político e eleitoral em Pernambuco. As ações de Eduardo à frente do governo de Pernambuco possibilitaram a conquista de eleitores. Eduardo, conforme pesquisas qualitativas mostram, obteve a admiração dos sufragistas pela sua capacidade de trabalho e sensibilidade social. O desempenho de Eduardo Campos como político e governador teve a capacidade de influenciar a decisão dos eleitores. Denomino tal capacidade de eduardismo.  

eduardismo contribuiu para os sucessos eleitorais de Geraldo Júlio em 2012 e de Paulo Câmara em 2014. Com a morte precoce do governador Eduardo Campos, o eduardismo continuou a existir na memoria dos eleitores, pois, a admiração por um líder não cessa repentinamente. Porém, ao olhar atentamente para os espaços político e eleitoral em Pernambuco, constato vazios. 

A Frente Popular, aparentemente, continua a existir. Quem lidera ou liderará a Frente Popular de Pernambuco? Geraldo Júlio e Paulo Câmara exercem funções executivas. Portanto, teoricamente, serão os líderes. Mas para isto ocorrer, eles precisam estar bem avaliados entre os eleitores. 

Caso um esteja bem avaliado entre os sufragistas e o outro não, um ascenderá sobre o outro. E, por consequência, será referência na Frente Popular. A ascendência de um sobre o outro tem condições de gerar conflitos na Frente Popular. Então, o líder que surgir precisará ter a capacidade política para arbitrar os conflitos. Caso não, chances para a implosão da Frente Popular surgirão. Se Geraldo Júlio e Paulo Câmara não conquistarem a admiração de parcela majoritária dos eleitores, aumentam as chances da Frente Popular implodir.  

Um grupo, supostamente liderado pelo senador Armando Monteiro, tende a fazer oposição ao governador eleito Paulo Câmara. As desavenças ou a implosão da Frente Popular beneficiam a suposta oposição. Mas quem liderará a oposição ao governador de Pernambuco? O senador Armando Monteiro tem condições de aglutinar parlamentares, em particular do PT, e com isto liderar a oposição?  

O PSDB e o DEM estão aptos a liderar a oposição a Geraldo Júlio. Porém, estratégias equivocadas tendem a enfraquecer os seus principais quadros. A ação do PT em Recife é uma incógnita, pois a agremiação carece de novos quadros. E, talvez, o partido não esteja convencido de que a melhor estratégia para 2016 seja a de produzir candidatos neófitos. Um detalhe: desavenças na Frente Popular podem criar lideres oposicionistas advindos da Frente Popular. 

A ausência caracteriza as atuais paisagens eleitoral e política de Pernambuco. O eduardismo continua a existir na memória dos eleitores. Mas a sua existência não será suficiente para a manutenção do capital eleitoral da Frente Popular. Diante disto, surge a oportunidade para o surgimento de novas lideranças. Quem será ou quais serão as novas lideranças de Pernambuco? 


Por que não existe terceira via?

Adriano Oliveiraqua, 12/11/2014 - 11:39

O filósofo Marcos Nobre usa a expressão peemedebismo para caracterizar a relação Executivo e Legislativo no Brasil. Para Nobre, o consórcio de partidos que apoia o Executivo constrói o peemedebismo. Os membros do peemedebismo criaram a tese de que a governabilidade só ocorre caso benefícios ofertados pelo Executivo aos parlamentares proporcionem a coalizão partidária. E, por consequência, a governabilidade.

São diversos os partidos que praticam o peemedebismo no Brasil. Porém, observo exceções. PT, PSDB, DEM, PPS e PSOL não praticam o peemedebismo. O PT forma o pólo contrário ao outro pólo, o qual é formado pelo PSDB, DEM e PPS. E o PSOL é outro pólo. Independente de quem está no poder, o PSOL sempre faz oposição. Os outros partidos não formam pólos e produzem o peemedebismo. O PMDB é a agremiação partidária que melhor representa o peemedebismo.

Qual é a consequência do peemedebismo para a dinâmica eleitoral? Tenho a hipótese de que o peemedebismo impossibilita o surgimento de terceira via competitiva nas eleições presidenciais desde a Era FHC. O pólo liderado pelo PT exercia forte oposição ao PSDB na Era FHC. Nesta Era, os partidos oposicionistas eram liderados pelo PT. Na Era PT, a partir de 2002, o PSDB lidera o polo oposicionista. Nas Eras FHC e Lula, o peemedebismo existiu, pois vários partidos integraram a coalizão. O peemedebismo também está presente na Era Dilma.

Existem dois fortes pólos eleitorais no Brasil. O polo liderado pelo PT e o polo liderado pelo PSDB. Eles se revezam no poder e na preferência do eleitorado. Sistematicamente, os pólos apresentam candidatos competitivos nas disputas presidenciais e atraem para as suas coligações outros partidos, os quais são agraciados com benefícios. Os que não integram a coligação durante o processo eleitoral poderão vir a fazer parte da coalizão governamental de qualquer vencedor.

Durante o exercício do governo, os partidos peemedebistas passam a integrar o polo do PT ou do PSDB. Deste modo, não fazem oposição e não criam as condições necessárias para apresentar candidatos competitivos nas futuras eleições presidenciais. Com a aproximação da nova disputa presidencial, os partidos peemedebistas ameaçam sair da coalizão partidária e apresentam o desejo de lançar candidato a presidente caso as suas demandas para com o Poder Executivo não sejam atendidas. Alguns têm as demandas atendidas. Outros não. E, com isto, optam por lançar candidato à presidência ou a mudar de polo.


Inquietações brasileiras

Adriano Oliveiraqua, 05/11/2014 - 10:25

As manifestações ocorridas durante e após a campanha presidencial de 2014 sugerem diversas interpretações sobre o Brasil contemporâneo. A primeira interpretação é que o forte desgaste da presidenta Dilma Rousseff é a causa das manifestações. A outra é que as manifestações atuais contrárias a presidente são inéditas na História do Brasil.

A interpretação de um evento social é uma hipótese. Portanto, passível de falsificação ou comprovação. Nesse sentido, observo que a primeira interpretação é falsa. As pesquisas de opinião após as manifestações de junho de 2013 mostraram que a avaliação do governo da presidente Dilma declinou fortemente. Porém, no decorrer da campanha eleitoral, a avaliação aumentou.

Além do aumento da aprovação popular, o resultado da eleição, ou seja, a reeleição da presidenta Dilma, mostra que a sua rejeição não foi suficiente para impedir o seu sucesso eleitoral. Portanto, não posso afirmar que existem fortes turbulências no eleitorado, as quais representam o desejo da maioria ao impeachment da presidente Dilma.

As fracas manifestações contra o governo Dilma sugerem que os desafios econômicos e sociais presentes na conjuntura atual precisam da resposta da presidente. Caso ela não suja de modo satisfatório é possível que as atuais manifestações atraiam mais manifestantes e, por consequência, turbulências fortes no eleitorado ocorram. Tais turbulências podem motivar crises entre presidência e Congresso Nacional.

As manifestações atuais não podem ser consideradas inéditas. As eras Vargas, Goulart e Collor foram recheadas de crises.  Neste instante, tenho incentivos para fazer a seguinte indagação: o que motiva as manifestações atuais? Desejo de ir além do lulismoperda de renda e de privilégios das classes A e B e incômodo social são as aparentes causas.

As classes D e C não desejam perder os benefícios da era Lula. E também desejam mais, em particular a classe C. Neste caso, sonham em adquirir mais poder de consumo e privilégios da classe média tradicional. Marcio Pochmann, no livro “O mito da grande classe média”, mostra que o aumento da renda ocorreu fortemente, durante a era Lula, nas classes C e D. Mas tal fenômeno não ocorreu fortemente nas classes A e B, ou seja, na classe média tradicional. O aumento do consumo das classes D e C proporcionou a alta de preços, em particular no setor de serviços, com isto, as classes A e B podem ter sentido perda do poder de compra.

incômodo social significa a inquietação de parte de membros da classe média tradicional com indivíduos das classes C e D que frequentam aeroportos, churrascarias e pizzarias, por exemplo. Estes recintos eram espaços típicos da classe média tradicional. Hoje não são mais. O aumento da renda familiar nas classes C e D e a nova legislação para as empregadas domésticas contribuíram para a diminuição da oferta de “empregadas” e “babás” para a classe média tradicional. Tal fator também provocou incômodo social de parte da classe média tradicional com as classes C e D.