Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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A mulher honesta

Adriano Oliveirater, 22/12/2015 - 15:51

A análise política não pode desprezar as pesquisas de opinião pública. Tanto as pesquisas qualitativas como quantitativas. São as pesquisas de opinião que revelam os sentimentos e os desejos dos eleitores. Elas não podem, porém, ser interpretadas como definitivas. Pois eleitores são inquietos e são provocados. Por consequência, eles podem mudar de opinião.

Quando o pesquisador decide realizar pesquisas de opinião, ele é obrigado a construir problemas e hipóteses. Por exemplo: Os eleitores tendem a desejar o impedimento de presidentes acusados de corrupção? Este é o problema. Neste caso, a hipótese é: eleitores tendem a vitimizar presidentes acusados de corrupção quando as acusações são percebidas como inverídicas.    

Tanto o problema como a hipótese foram verificados por mim em diversas pesquisas de opinião qualitativas. Por diversas vezes, percebi que os eleitores tinham profunda raiva de Dilma, pois com ela o Brasil parou. Por outro lado, observei indícios de que os eleitores não reconheciam a presidente Dilma como responsável pelos atos de corrupção praticados por diversos atores e partidos nas eras Lula e Dilma. Com o passar do tempo, constatei que a presidente era a “madrasta honesta” que substituiu o “pai dos brasileiros”, no caso, o ex-presidente Lula. Diante desta percepção, observei que a vitimização da presidente Dilma é hipótese factível.

Pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada recentemente, revelou que 60% dos brasileiros consideram que foi no governo Dilma que mais existiram atos de corrupção. Entretanto, 48% afirmam que os atos de corrupção foram mais combatidos na era Dilma. Estes dados sugerem que as denúncias de corrupção afetam negativamente e positivamente o governo Dilma. E mostram que a presidente Dilma, caso não sofra o impeachment, poderá findar o mandato como a presidente que mais combateu a corrupção no Brasil – Hipótese.

Os atores da oposição precisam ficam atentos as seguintes possibilidades: 1) Dilma poderá ser vitimizada, pois até o instante, nenhuma denúncia de corrupção a atingiu; 2) A vitimização atrelada a “fama” de mulher honesta que combate a corrupção poderá lhe trazer dividendos eleitorais em 2018. E se tal fama vier acompanhada da recuperação econômica, Dilma poderá ser uma grande eleitora na vindoura disputa presidencial.


Dilma, a crise e 2016

Adriano Oliveirasex, 04/12/2015 - 10:34

O Brasil superará as crises? Esta é a indagação fundamental neste instante. Eleitores, investidores e empresários chegarão em 2016 com dúvidas. As dúvidas são decorrentes das crises econômica e política que o Brasil sofre desde o início do ano, sendo que elas nasceram desde a primeira era Dilma. Portanto, o que ocorre em dezembro de 2015 não é novidade. A surpresa é a intensidade das crises.

Diversas ações da presidente Dilma em seu primeiro mandado possibilitaram que a classe política não caminhasse ao lado dela. A presidente do Brasil tem horror ao diálogo. Toma decisões solitariamente. Não cativa. Ao contrário do ex-presidente Lula. O “jeito Dilma de ser” permitiu que a classe política se distanciasse dela. E o pior: não confiasse nela. Portanto, o “jeito Dilma de ser” contribuiu para a crise política atual.

A crise política provoca crise econômica. Esta é a causalidade observada. Existe, contudo, uma variável interveniente nesta causalidade, qual seja, a Operação Lava Jato. Tal Operação mostra que as instituições no Brasil estão enfrentando a corrupção pública. Quatro atores estratégicos aparecem na Operação Lava Jato: (1) Partidos políticos; (2) Funcionários públicos da Petrobrás; (3) Empresas, em particular as construtoras; (4) Lobistas. Estes atores interagem entre sim e formam pequenas organizações.

A Operação Lava Jato provoca desconfiança nos eleitores e na classe política. Parte dos eleitores desconfia de que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula comandam os atos de corrupção desvendados pela Operação Lava Jato. Os eleitores, majoritariamente, não confiam nos políticos. E os políticos, em particular senadores e deputados federais, estão receosos em serem indiciados ou presos em razão das investigações da Operação Lava Jato.

O impedimento da presidente Dilma continua a ser uma possibilidade. Porém, o recesso parlamentar vindouro, as Olimpíadas em 2016 e a possível cassação ou prisão de Eduardo Cunha são variáveis importantes que podem arrefecer as chances de impedimento da presidente. Considero, entretanto, a possibilidade de manifestações populares em meados de 2016, em virtude da crise econômica.

Portanto, 2016 é, hoje, o ano da incerteza absoluta. Neste momento, qualquer previsão otimista ou pessimista é temerária. 


Os prefeitos serão perdoados?

Adriano Oliveiraqui, 26/11/2015 - 09:43

Prefeitos que não pagam os salários dos servidores em dia têm reduzida popularidade? Prefeitos que não pagam os salários dos funcionários da prefeitura regularmente, mas com a proximidade da eleição, passam a pagar, tendem a ser reeleitos?

As indagações apresentadas são vitais para decifrarmos previamente os resultados das eleições municipais de 2016 em municípios em que parte considerável da população depende do poder estatal para obter renda mensal. Tenho a hipótese de que quanto maior a população do município, menor a dependência econômica dos indivíduos do poder estatal.

Através de Diagnósticos qualitativos e quantitativos é possível identificar os seguintes mecanismos em dado ambiente social: 1) Prefeitos que empregam mais pessoas tendem a ser reeleitos, já que estes, em um espaço populacional pequeno, tende a conquistar eleitores através da oferta de empregos públicos; 2) Prefeitos que atrasam os salários dos servidores, concursados ou contratados, tendem a perder a eleição, pois os eleitores estão insatisfeitos e desejosos de que outro candidato vença a eleição; 3) Prefeito que atrasa os salários dos servidores, mas que próximo à eleição, regularize o pagamento, tende a causar desconfiança e esperança nos eleitores. Portanto, tem chance de vencer a eleição.

Estes mecanismos apresentados não podem ser desprezados pelos competidores, pois em diversos municípios as peças principais que movem a economia local são: prefeitura e comércio. A prefeitura alimenta o comércio ao pagar os servidores. Com isto, o comércio adquire condições de gerar empregos. Assim sendo, o bem-estar econômico passa a existir em grande parte dos eleitores.

São diversas as prefeituras de variados estados do Nordeste que não estão pagando regulamente os funcionários, concursados ou não, e aposentados. Diversos prefeitos também relatam a impossibilidade de pagar o 13° salário. E uma gama de prefeitos já anunciou demissões de contratados. Diante desta conjuntura, como será a eleição municipal de 2016?

Estou insistindo frequentemente no tema crise e eleições em razão de que o pleito municipal vindouro será fortemente atípico. Em 2008 e 2012 existia a discussão sobre a necessidade de mais recursos para os municípios. Contudo, o boom econômico do Brasil ofertava a diversas cidades a possibilidade de manter os pagamentos dos servidores em dia. Inclusive, os gestores tinham a obrigação de pagar os funcionários, pois não existia a crise econômica nacional, a qual serve, neste instante, para justificar a crise econômica municipal. Sendo assim, em 2016, os eleitores perdoarão os prefeitos em razão da crise econômica nacional?


A crise e a eleição de 2016

Adriano Oliveiraqua, 18/11/2015 - 11:38

A intenção de voto dos candidatos preocupa fortemente os competidores. A lógica dos pretendentes a vencer a eleição é simples: quem está na frente hoje, é e será o melhor candidato amanhã. Presente e futuro são importantes na dinâmica eleitoral. A compreensão do presente requer olhar para o futuro. E a interpretação do futuro requer olhar para o presente.

Os candidatos que hoje lideram, não serão, obrigatoriamente, candidatos competitivos no futuro. Os candidatos que hoje não lideram poderão ser fortes competidores no amanhã. Portanto, a intenção de voto, neste instante, tem a função de um circo, ou seja: animar candidatos. A definição da potencialidade eleitoral futura do candidato requer, necessariamente, a interpretação da conjuntura em que a eleição ocorrerá. 

A conjuntura é o espaço temporal onde competidores buscam conquistar eleitores.  Na conjuntura, os eleitores expressam desejos futuros em relação à cidade e sentimentos para com os candidatos. A interpretação da conjuntura presente ocorre através de pesquisas qualitativas e quantitativas, as quais possibilitam a identificação dos desejos e sentimentos dos eleitores.  

A interpretação da conjuntura futura ocorre em razão da interpretação da conjuntura presente. Desejos futuros e sentimentos dos eleitores – os quais expressam esperança, olhar para o futuro, renovação, mudança, resgate do passado – são detectados através de pesquisas realizadas no presente. 

O que os eleitores desejarão em 2016? Os governadores serão grandes eleitores em 2016? As eleições municipais de 2008 e 2012 foram disputadas sem a presença de crises política e econômica. Entretanto, a eleição municipal de 2016 tende a ser disputada com crise econômica ou com lenta recuperação econômica. Ao olhar para a economia pernambucana, os candidatos disputarão a eleição com crise econômica também instalada em Pernambuco ou com lenta recuperação econômica, donde esta poderá ocorrer caso aconteça a recuperação da economia brasileira.

Nas eleições municipais de 2008 e 2012, o então governador Eduardo Campos, dentre outros governadores, foram sujeitos estratégicos que incentivaram a escolha dos eleitores em diversos municípios. Caso a crise econômica nacional permaneça, talvez os governadores não tenham a importância estratégica que tiveram nas eleições municipais anteriores. Portanto, candidatos a prefeito, ou candidatos à reeleição, devem, neste instante, desprezar a intenção de voto, e olhar com atenção especial para a conjuntura vindoura. Ou seja: em qual conjuntura a eleição municipal de 2016 será disputada? A resposta a esta indagação sugerirá estratégias eleitorais vitoriosas.  


Eleitores imediatistas

Adriano Oliveirater, 13/10/2015 - 17:44

Eleitores são fortemente imediatistas quando escolhem presidentes e os avaliam. Tal premissa é polêmica. Porém, incentivo a reflexão sobre ela. Pesquisas mostram que a presidente Dilma é reprovada, majoritariamente, pelos eleitores. As causas da reprovação estão no âmbito da subjetividade e da objetividade.

No âmbito subjetivo, os eleitores estão decepcionados com Dilma. Parte deles tem saudades da era Lula. Dilma, para muitos eleitores, é considerada a “madrasta” que não cuida bem dos seus filhos. Ao contrário do Lula. Este é o pai que um dia cuidou muito bem dos seus filhos. No âmbito objetivo, os indicadores econômicos explicam a reprovação de Dilma. Alta da inflação e desemprego. Ambos motivam o declínio da renda.

Nessa conjuntura, eleitores reagem e reprovam a presidente que um dia aprovaram. Quando Dilma era bem avaliada, os eleitores a aplaudiam pelo controle do preço da gasolina. Embora, tal controle, comprometesse o desempenho econômico da Petrobrás. E adiava o aumento da inflação. Quando Dilma ofertou redução tributária às indústrias, diversos empresários a aplaudiram. Mesmo que a redução não tenha dada a contribuição devida para a geração de empregos. Além de ter limitado a arrecadação do Tesouro.

O Tribunal de Contas da União mostrou que a presidente Dilma realizou pedaladas fiscais no ano de 2014. De acordo com a defesa da presidente, as pedaladas foram necessárias, pois existiram em razão de um louvável objetivo, qual seja: manutenção das meritórias políticas sociais. No ano de 2014, a presidente foi reeleita, embora tenha quase perdido a eleição. Mas o medo das classes C e D de perderem as conquistas econômicas da era Lula motivaram o novo sucesso eleitoral de Dilma.

O ex-presidente Lula, mentou de Dilma Rousseff, conduziu o Brasil durante oito anos. Nesse período, apesar da popularidade, Lula esqueceu, propositadamente, de realizar as reformas estruturais que hoje são solicitadas. Lula priorizou a oferta de crédito. Lula priorizou a ampliação das políticas sociais. Prioridades meritórias. Porém, Lula governou em conjunturas econômica e política favoráveis, as quais possibilitaram o estrondoso aumento da sua popularidade. Porém, Lula não realizou as reformas estruturais e era aplaudido entusiasticamente por eleitores e governadores.  

O comportamento dos eleitores nas eras Lula e Dilma mostra que, majoritariamente, eleitores não são responsáveis, pois são imediatistas e egoístas. Eles aprovam presidentes e os escolhem considerando apenas o seu bem-estar momentâneo. Esquecem de refletir sobre o futuro. Não cobram dos presidentes reformas, mesmo que estas venham a produzir a longevidade das conquistas sociais e econômicas. 


Cinco perguntas capitais

Adriano Oliveiraqua, 16/09/2015 - 12:21

Existe crise institucional no Brasil? Não. As instituições estão funcionando. Afirmo isto, em razão das ações da Operação Lava Jato e do Tribunal de Contas da União no âmbito do julgamento das contas da presidente Dilma Rousseff. Estas ações institucionais são as mais visíveis. Porém, lembro da Operação Zelotes, a qual desvendou a atuação de grupos criminosos no âmbito da Receita Federal.

O ajuste fiscal sugerido pela presidente Dilma Rousseff é necessário? Sim. A presidente Dilma cometeu equívocos em seu primeiro mandato. O nacional-desenvolvimentismo predominou. A Petrobrás foi utilizada para controlar preços e promover o desenvolvimento. Ambas as ações não consideraram que a Petrobrás precisa atuar considerando a lógica do mercado. Incentivos tributários foram concedidos na esperança de que o crescimento econômico ocorrido na era Lula permanecesse. A presidente Dilma não promoveu o controle dos gastos e nem reformas estruturais.

A crise econômica atual é estrutural? Sim. FHC foi um presidente reformista. A Lei de Responsabilidade Fiscal e as privatizações são exemplos de ações que buscaram reformar o estado e dotá-lo de modernidade e eficácia. Lula foi um presidente que herdou as reformas de FHC, mas não promoveu novas reformas. Embora tenha ampliado o número de pessoas beneficiadas por diversas políticas sociais e tenha promovido o consumo interno. Dilma realizou uma única reforma estrutural: instituiu teto para a aposentadoria do servidor público. Ela continuou as ações de Lula, mas em uma conjuntura econômica desfavorável, em razão da queda da arrecadação.

Qual é a razão da crise política atual? Dilma sofre de paralisia decisória. Ela não se antecipou a crise econômica em razão da sua paralisia decisória. A oposição tem razões para criticar a presidente Dilma. Porém, a crítica e a cobrança estão resumidas em um único desejo: a saída imediata da presidente. Em virtude da presença deste desejo, a crise política atual adquiriu caráter hobbesiano, onde estão todos contra todos em um estado de guerra que impede a construção de soluções para a crise econômica atual.

A saída de Dilma é a solução ótima para a crise? Não! Caso Dilma renuncie ou sofra impedimento, neste último caso, sem nenhuma razão factual, a oposição mandará para o exercício da oposição o PT, Lula e os movimentos sociais. A oposição precisará fazer as reformas estruturais necessárias. E a crise política deverá continuar. Porém, os sujeitos principais da crise serão outros, no caso Lula e o PT.  Tenho a hipótese de que a saída de Dilma manterá as coisas em seu devido lugar, inclusive, as coisas benéficas, ou seja, as instituições funcionando. 


A crise e os governadores

Adriano Oliveirater, 01/09/2015 - 14:06

Apenas enxergamos a crise do governo Dilma Rousseff. Compreensível. Pois a agenda midiática aborda enfaticamente a crise no governo Dilma. Porém, a crise do governo Dilma tem forte rebatimento nos governos estaduais. Certamente, não existem crises políticas no âmbito dos governos dos estados. Mas a crise política no governo Dilma provoca crise econômica, a qual possibilita dificuldades econômicas nos estados. Portanto, a crise do governo Dilma não é uma crise exclusiva do governo Dilma.

Os governadores são atores estratégicos caso sejam proativos. Caso não, eles são meros governadores que atendem as demandas dos deputados e prefeitos. Quando governadores são proativos, eles participam da vida política brasileira em razão de que a superação da crise nacional possibilitará a superação da crise estadual. A ausência de proatividade por parte dos governadores os transforma em políticos provincianos, ou seja, chefes da província que aguardam a ordem da Província-geral, no caso, a União.

O insistente debate sobre o novo pacto federativo é lugar-comum nos discursos de variados governadores. O que os governadores desejam é que do novo pacto federativo mais recursos cheguem aos estados. Legitima pauta. Entretanto, como o governo federal convive com o desequilíbrio fiscal, o novo pacto federativo tende a não existir. Diante desta constatação básica, governadores precisam ser proativos.

Quando a presidente da República propôs a recriação do CPMF poucos governadores a apoiaram. Compreensível. Pois presidentes reprovados não lideram parlamentares, governadores e eleitores. Entretanto, a recriação do CPMF era a oportunidade para o estabelecimento do novo pacto federativo. Foram poucos os governadores que constataram tal oportunidade.

Todos os governadores, obviamente, torcem pela recuperação da economia brasileira, pois desta forma, os governadores terão mais recursos. Por outro lado, observo que alguns governadores ainda apostam na permanência da crise política ou não se pronunciam sobre ela. Tais atitudes são contraditórias e tem condições de levar variados governadores para o abismo eleitoral, ou seja, a dificuldade da reeleição.

Caso Dilma Rousseff renuncie ou sofra impedimento, governadores tendem a ter, neste instante, reduzido prejuízo eleitoral futuro. Por outro lado, caso o governo Dilma supere medianamente a crise, e o país volte a crescer a partir de 2017, governadores poderão obter dividendos eleitorais futuro. Mas só os governadores que hoje são sábios terão condições de obter os benefícios da recuperação da atual presidente, pois a dinâmica política é caracteriza pela vingança. Deste modo, qual é a estratégia ótima para os governadores? Evitar o silêncio, neste caso, defender a superação das crises e solicitar aos deputados soluções para a crise fiscal da União e, por consequência, dos diversos estados da federação.


As manifestações

Adriano Oliveirater, 11/08/2015 - 11:29

Desde junho de 2013, manifestações ocorrem no Brasil e incentivam diversas interpretações quanto às razões e consequências delas. As manifestações de junho de 2013 foram motivadas pelo aumento do valor das passagens de ônibus na cidade de São Paulo. A repercussão delas através das redes sociais possibilitou manifestações em diversas cidades.

De acordo com institutos de pesquisas, os manifestantes de junho de 2013 tinham, majoritariamente, nível superior e pertenciam às classes A e B. As reclamações dessas manifestações foram variadas, dentre as quais: melhoria do transporte público e combate à corrupção. Após junho de 2013, novas manifestações ocorreram. Porém, as práticas de violência contidas nelas as esvaziaram e permitiram que elas não fossem aprovadas majoritariamente pela opinião pública. Black blocs lideraram estas manifestações.

A Copa do Mundo, os ativistas Black bloc e a eleição presidencial de 2014 impediram o surgimento de novas manifestações. Após a eleição presidencial, novas manifestações ocorreram no ano de 2015. O perfil socioeconômico delas foi semelhante às de junho de 2013. Porém, os reclamantes mudaram a pauta. Corrupção e a defesa do impedimento da presidente Dilma Rousseff foram as pautas principais. Destaco que em 2013, os manifestantes não reclamavam intensamente de um ator político específico. As manifestações de 2015 reclamam.

Em todas as manifestações ocorridas desde 2013, os participantes não escolheram líderes. Em particular, líderes membros da classe política. A ausência de líderes compromete a efetividade das manifestações entre as instituições e enfraquece a possibilidade do impedimento da presidente Dilma Rousseff. Quando não existem líderes, os objetivos das manifestações tendem a não ser exequíveis, porque nenhum ator político com expressão e respeitabilidade dar continuidade a eles.

Além da ausência de lideres, é estranho não observamos a presença maciça de indivíduos pertencentes às classes C e D nas manifestações. Por que tais indivíduos não se transformam em manifestantes? Esta indagação, entretanto, não retira de modo algum a importância das manifestações. Como não sugere que são apenas os eleitores das classes A e B que estão insatisfeitos com a presidente Dilma Rousseff.

Como serão as manifestações do dia 16 de agosto? Certamente, manterá o perfil socioeconômico das anteriores. Porém, existe uma pergunta fundamental: em razão da reprovação majoritária da presidente Dilma Rousseff e do aumento dos índices de inflação e desemprego, as manifestações de domingo atrairão fortemente indivíduos das classes C e D? Em virtude do desgaste da classe política, desconfio que não surja nenhum novo líder político nessas novas manifestações. Portanto, Eduardo Cunha e TCU são os atores principais e estratégicos que podem conduzir o impedimento da presidente Dilma.


A inocência política

Adriano Oliveiraqui, 02/07/2015 - 10:15

Os integrantes da Câmara dos Deputados votaram majoritariamente a favor da redução da maioridade penal. Fizeram o mesmo em relação à extinção do fator previdenciário. O que motivou tais escolhas? O apoio da opinião pública, ou seja, os eleitores brasileiros apoiam, em sua maioria, a redução da maioridade penal e defendem aposentadorias “dignas”. Portanto, as escolhas dos parlamentares tiveram o objetivo de conquistar sufragistas.  

A inocência faz parte da alma humana. Ela existe em razão da falta de informação ou da ausência de experiência de vida. No ambiente político estão presentes políticos experientes e informados. Políticos inexperientes e desinformados. Políticos experientes e desinformados. E políticos inexperientes e informados. Os parlamentares que apoiaram a extinção do fator previdenciário e a redução da maioridade penal podem ser experientes, mas são, obrigatoriamente, desinformados. 

São desinformados porque falta a eles visão de futuro. São desinformados porque falta a eles interpretação adequada da opinião pública. A ausência de visão de futuro é observada no ato em que possibilitou a extinção do fator previdenciário. A mídia oferta notícias sobre a Grécia. Este país sofre de grave crise fiscal, a qual é ocasionada, dentre diversos fatores, pela existência de aposentadorias precoces. 

A redução da maioridade penal possibilita intensos debates que devem promover o esclarecimento do tema. Porém, os parlamentares quando vão à Tribuna agem com o objetivo de obscurecer a discussão. Nenhum parlamentar, por exemplo, recheou a defesa ou a condenação da redução da maioridade penal com dados estatísticos e com relações de causalidade. 

Os parlamentares agem guiados pela inocência que a ânsia de conquistar o eleitor provoca. O raciocínio para boa parte deles é que os brasileiros, majoritariamente, desejam aposentadorias “dignas”, por consequência, o fator previdenciário deve ser extinto. Não sabem eles que em breve futuro a ausência do fator previdenciário poderá reduzir o valor das aposentadorias e a capacidade de investimento público do estado. Portanto, eles serão responsabilizados eleitoralmente por tais consequências. 

Os parlamentares, alguns candidatos a prefeito, partem da premissa falsa de que o aprisionamento de jovens proporcionará votos. Os parlamentares creem que o eleitor é um sujeito simples. Os sufragistas são entidades complexas que possuem raciocínios e opiniões contraditórias. Os eleitores, majoritariamente, não confiam e nem admiram políticos. Político informado busca conquistar a admiração e a confiança dos sufragistas através do gerenciamento estratégico da sua carreira política. 


A ilusão do voto

Adriano Oliveiraqui, 18/06/2015 - 10:22

Para que serve a intenção de voto? A resposta é simples. Neste instante não serve para nada. Entretanto, são abundantes as pesquisas que trazem a posição dos candidatos na disputa eleitoral que ocorrerá em 2016. Existem pesquisas que mostram o desempenho dos candidatos na competição presidencial que ocorrerá em 2018. Tais pesquisas motivam avaliações equivocadas por parte dos competidores quanto às suas reais chances de vencer a eleição.

Qual é o nível de conhecimento do candidato entre os eleitores? Esta é uma indagação estratégica. Se Pedro, candidato a prefeito, é novato em disputas eleitorais, portanto, com reduzido porcentual de conhecimento, como posso asseverar que ele não é um candidato competitivo? Alguém, motivado pela ilusão da intenção de voto, dirá que ele não é um candidato competitivo, pois só tem 5% de intenção de votos.

Pedro só tem 5% de intenção de votos em razão de que poucos eleitores o conhecem ou sabem que ele é candidato a prefeito. Portanto, a posição de Pedro, neste instante, na corrida eleitoral, não oferta informação factível para considerar se ele é ou não um candidato competitivo na eleição vindoura.

Quais as demandas dos eleitores? Quem são os atores responsáveis por tais demandas? Quais os sentimentos dos eleitores? Quais as expectativas dos sufragistas? Quais eventos podem interferir, caso ocorram, no desempenho dos competidores? Quais os indicadores que possibilitam a aprovação ou a reprovação do gestor atual? Estas perguntas são vitais. Portanto, elas importam consideravelmente, ao contrário da intenção de votos.     

As respostas para as perguntas apresentadas serão encontradas através do diálogo exacerbado entre pesquisas qualitativas e quantitativas. As primeiras oferecem ao estrategista os significados para os eleitores dos atores, dos fatos e da gestão do prefeito. Através da verbalização dos entrevistados, a pesquisa qualitativa permite que a mente dos eleitores, no caso os seus sentimentos e desejos, sejam identificados e interpretados.

As pesquisas quantitativas podem ser realizadas concomitantemente com as qualitativas. Entretanto, observo que o ideal é que as qualitativas sejam realizadas inicialmente, pois os resultados delas contribuirão para a construção dos questionários da pesquisa quantitativa e a quantificação dos significados encontrados.

Eleitores buscam informações para a tomada de decisão. Alguns são dedicados à busca da informação. Outros são preguiçosos ou desinteressados. Mas, majoritariamente, eles têm sentimentos para com outrem e possuem visões de mundo. Portanto, têm opiniões. Deste modo, o que importa neste instante não é a intenção de voto. Mas os pensamentos dos eleitores, os quais são extraídos das pesquisas e que contribuirão para a construção de estratégias que motivem os eleitores a escolherem dado candidato.