Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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João Paulo e o novo pólo de poder

Adriano Oliveiraseg, 19/09/2011 - 08:58

Em janeiro deste ano, em artigo no Jornal do Commercio e no blog do IPMN (As opções de João Paulo – 22/01/2011), mostrei que a escolha ótima de João Paulo era a sua saída do PT. Naquela época, eu já vislumbrava o óbvio: João Paulo não teria espaço no PT para ser candidato a prefeito do Recife. E se não saísse do PT, ele não disputaria eleições majoritárias imediatas, e, por consequência, perderia capital eleitoral.

Noticias recentes dão conta de que João Paulo poderá ir para o PV ou o PC do B. A opção pelo PC do B, conforme frisei em 22/01/2011, é péssima. A opção pelo PV é ótima. O PV é uma legenda charmosa para os que a conhece. O PV está na base de Dilma Rousseff, mas poderá caminhar com o PSDB em 2014. A direção nacional do PV entregará o controle do partido a João Paulo. E João Paulo fortalecerá o PV eleitoralmente e politicamente.

A ida de João Paulo para o PV causará estragos ao PT e a João da Costa. O PT perderá capital eleitoral. João da Costa será, em algum momento da campanha, confrontado pelo seu criador. E, talvez (Isto depende do seu estrategista!), João da Costa não encontre estratégia eficiente para enfrentar João Paulo.

O rompimento entre João Paulo e João da Costa virá à tona em 2012. E, desconfio, que João Paulo alegará que foi traído pelo PT e por João da Costa. Saliento, ainda, que a saída de João Paulo enfraquece a candidatura de Humberto Costa ao governo do estado em 2014.

A oposição ficará, em parte, enfraquecida. Pois, neste instante, João Paulo aparece como favorito a vencer a disputa em Recife. Entretanto, se a oposição for sábia, e esquecer a intenção de votos, pensará estrategicamente e criará estratégias que visem enfraquecer a candidatura de João Paulo. Estratégias existem para tal!

Eduardo Campos, inicialmente, será um aliado de João Paulo. Friso, inicialmente. Mas caso João Paulo conquiste a prefeitura do Recife e as conjunturas econômica e política não favoreçam a reeleição de Dilma, as peças do xadrez poderão se movimentar radicalmente em 2013 e em 2014.

João Paulo, como prefeito do Recife, atrairá Armando Monteiro e atores do PMDB e PSDB. E ele poderá vir a ser candidato ao governo do estado em 2014 com o apoio de Marina Silva. Esta, inclusive, liderando um novo partido.

E se João Paulo perder a eleição para prefeito do Recife? O ator que for eleito prefeito do Recife se transformará automaticamente em uma nova e forte liderança em Pernambuco.


Brasil S/A

Adriano Oliveiraqui, 15/09/2011 - 17:01

Imaginem que o Brasil seja uma empresa privada comandada por Dilma, a principal executiva. Esta empresa é composta por 37 diretores e milhares de acionistas. Os diretores exigem lealdade de Dilma. E os acionistas esperam lucros da empresa. Pressionada, a executiva Dilma toma decisões equivocadas. E...

“Em nove meses, o Brasil S/A perdeu cinco diretores. Os diretores ocupavam posições importantes, inclusive, o segundo executivo da empresa, em razão das circunstâncias, solicitou demissão. Ou melhor: foi demitido. Mas a principal executiva, Dilma, não confirmou isto. Os acionistas, até o instante, não exigem explicação de Dilma, pois estão anestesiados com os lucros da gestão passada - Lula. Dilma, em nenhum instante, admite erros na condução da gestão. A saída de Palocci, o segundo executivo da empresa, possibilitou a vinda de uma executiva sem experiência no mercado. É possível que os acionistas comecem a reprovar a gestão de Dilma. Eles, em algum instante, sofrerão conseqüências em razão da queda do lucro da empresa - corte de investimentos e diminuição do poder de compra. Dilma, a principal executiva, não diz nada. Aliás, se encontra com os outros diretores e pedem para eles indicarem outro diretor. Os diretores não admitem que o novo membro da diretoria seja um técnico reconhecido do mercado. Sugerem uma pessoa do circulo de amizades deles. O tempo passa. Clientes somem. A Brasil S/A quebra. Mais uma empresa vai a falência no país do futuro”.   

Se o Brasil fosse uma empresa, certamente, Dilma já teria deixado o cargo de principal executiva. Ou, visão mais otimista: estaria com o cargo ameaçado. Mas o Brasil não é uma empresa. E os eleitores não são acionistas, apesar deles esperarem boas ações do governo. Em razão de o sistema político brasileiro ser presidencialista, os eleitores esperarão por cerca de três anos para decidir o que fazer com Dilma. Enquanto isto, novos ministros cairão. Só não irá ocorrer uma coisa: o Brasil não quebrará, mas poderá deixar de se desenvolver. 

Espero que Dilma faça um bom governo. Mas as conjunturas política e econômica me trazem pessimismo.


O contador de votos

Adriano Oliveiraqua, 14/09/2011 - 12:36

Os contadores de votos estão em toda parte. Na Academia, na imprensa e nos partidos políticos. Os contadores de votos fazem pesquisas e olham sempre e exclusivamente para a variável intenção de voto. O que importa para eles é o percentual do primeiro colocado.

Se o candidato X tem 38% e o segundo colocado (Y), 19%, o contador de votos afirma imediatamente: “O candidato X deve vencer a eleição”. Quanto mais próximo do pleito, maior a convicção do contador de votos. O contador de votos não trabalha com hipóteses. Ele parte da premissa única de que escolhas feitas, escolhas consolidadas.

Os contadores de votos desconhecem a trajetória do eleitor. Para eles, os eleitores não sofrem influência das estratégias eleitorais e de outros eleitores. Esquecem ou não sabem que indivíduos interagem, formam preferências e fazem escolhas. A interação, a formação das preferências e as escolhas ocorrem numa trajetória.

Geralmente, os contadores de votos se decepcionam, silenciam e mudam de opinião. Candidatos se decepcionam e responsabilizam os institutos de pesquisas. Frisam, quase sempre, que eles erraram. Alguns acadêmicos ficam em silêncio ou decidem fazer um estudo pós-eleição para explicar as variáveis que possibilitaram a derrota de dado candidato. E a imprensa muda rapidamente de opinião.

Algumas obras presentes na literatura mostram que os contadores de votos precisam ficar atentos. Recomendo dois excelentes livros: Emoções ocultas e Estratégias eleitorais, de Antônio Lavareda. E Campaign Communication & Political Marketing, de Philippe j. Maarek. Além do meu recente artigo: O lulismo e as suas manifestações no eleitorado – Estas obras mostram o papel/importância das estratégias eleitorais e da conjuntura junto ao comportamento do eleitor.

Eleições municipais ocorrerão no próximo ano. Os contadores de votos já começaram a contar.  Para eles, quem parte na frente ganha. Eles, infelizmente, não consideram os seguintes pontos:

1.    Prefeitos bem avaliados são reeleitos e perdem eleições.
2.    Prefeitos mal avaliados perdem e ganham eleições.
3.    As estratégias eleitorais importam. E elas, quando criadas adequadamente, podem mudar as escolhas dos eleitores.
4.    Boas ideias precisam ser ofertadas ao eleitor de maneira estratégica. Caso não, será uma boa ideia, mas sem efeito junto ao comportamento do eleitor.
5.    Pesquisas eleitorais revelam o instante. Mas podem possibilitar a construção de prognósticos eleitorais.
6.    Neste instante, o mais importante é identificar as condições de crescimento dos candidatos. Pesquisas sábias têm condições para tal.


As novas demandas do eleitor e estratégias

Adriano Oliveirater, 13/09/2011 - 11:20

Bons livros nos trazem boas ideias e novas abordagens. Conclui o livro “Radiografia de uma derrota – O cómo Chile cambió sin que La Concertacion se diera cuenta”. O livro é do sociólogo Eugenio Tironi. Recomendo este livro aos estrategistas políticos.

O livro de Tironi analisa a derrota da Concertacion no Chile na última eleição presidencial e o sucesso eleitoral de Sebastian Piñera na disputa. A principal tese de Tironi é que os eleitores do Chile mudaram. Em razão disto, a Concertacion perdeu a eleição para presidente da República.

Eleitores mudam? Sim, esta é uma tese que infelizmente não é tratada com atenção por parte dos estrategistas políticos. Os eleitores que elegeram FHC em 1994 tinham determinadas demandas. Hoje, estes mesmos eleitores, e outros que surgiram possuem outras demandas. O desenvolvimento econômico e o aumento do nível de instrução possibilitam a mudança dos valores (Novas demandas) do eleitor.

Se os eleitores mudam os seus valores, eles podem modificar as suas preferências. Os candidatos precisam atender as novas exigências do eleitor. Através de pesquisas quantitativas e qualitativas é possível identificar as novas demandas do eleitorado.

Certamente, o PSDB, após a era FHC, não descobriu as novas demandas do eleitor. O PT descobriu e ofertou soluções para as novas demandas. A herança positiva de FHC foi, por sua vez, incorporada também pelo PT. Ou melhor: por Lula. Com isto, nasceu o lulismo.

Com FHC, os eleitores iniciaram o processo de aumento do consumo. Na era Lula, os eleitores aumentaram o consumo e passaram a adquirir bens não antes adquiridos. E com Dilma, o que ocorrerá? Os eleitores que viveram as eras Lula e FHC desejam a manutenção das conquistas econômicas. E mais alguma coisa!

Tenho a hipótese de que a era Dilma será caracterizada pela demanda (Maioria do eleitorado) por beleza (Cabeleireiros, Academias), turismo e produtos mais luxuosos. Além dos produtos e bens já consumidos. O eleitor brasileiro não aceitará que alguém ameaçe o seu bem-estar econômico e o seu poder de consumo. E os que ainda não adquiriram este bem-estar, lutarão por ele.

Existem também outras demandas, quais sejam: melhoria da oferta de bens públicos – segurança, saúde e educação. Além de obras de infraestrtutura. Se Dilma tiver condições – o sucesso do seu governo depende, obviamente, das conjunturas econômicas e políticas – de manter as conquistas do eleitor e atender às novas demandas surgidas, ela será competitiva em 2014.


Dois aviões, duas torres e um evento

Adriano Oliveiraseg, 12/09/2011 - 09:00

Terroristas, em nome de alguma coisa, abordos de dois aviões, derrubaram duas torres nos Estados Unidos. Os atentados de 11 de setembro são lembrados até hoje. Ontem, 11 de setembro de 2011, a imprensa – televisiva e jornais – lembrou intensamente o atentado.

Em 2001, terrorista desejavam dar um recado ao mundo. E deram! Eles avisaram ao Ocidente que não toleram a cultura ocidental. E mostraram que a palavra tolerância não faz parte do seu vocabulário. O terror islâmico, o qual, vale salientar, é praticado por alguns, possibilitou que a aversão ao outro no Ocidente, mais especificamente aos islâmicos, possivelmente, tenha aumentado.

Bin Laden e variados terroristas deram o recado ao Ocidente. Mas não venceu o Ocidente, como alguns acreditam – Vejam matéria da Revista Carta Capital desta semana. Eles fizeram estragos, mas, por outro lado, possibilitaram guerras, destruição, xenofobia intensa, diminuição do exercício da liberdade, ódio.

Em alguns espaços, está presente argumento inconcebível, mas que precisa ser respeitado. Qual seja: o terror nasceu em razão das práticas do Ocidente, particularmente das práticas americanas.

É fato que os Estados Unidos já foram aliados dos que hoje fazem ou defendem o terror. É fato que existem benefícios econômicos advindos de guerras ocorridas em países como o Iraque e Afeganistão. Mas responsabilizar a América pelo surgimento das ações terroristas é delírio ideológico.

A ideologia exacerbada permite a discriminação do outro. Argumentos contrários não são aceitos. O diálogo não é possível. As diferenças não são respeitadas. As práticas de terrorismo surgem da ausência do diálogo e do respeito. O terror é, portanto, proveniente da ausência de democracia.

Uma pergunta básica: é possível democracia intensa em países dominados pelo Islamismo? Suspeito que não. E vou mais além: não devemos exigir que países islâmicos sejam democráticos. As suas escolhas precisam ser respeitadas. Se eles não desejam a prática democrática, que vivam sem ela, e arquem com as conseqüências, caso existam.

Porém, atores movidos por valores religiosos radicais não podem condenar os países do Ocidente e ameaçá-los com práticas de terror. Teoricamente, repito, teoricamente, o espaço territorial da Terra, possibilita a existência de valores radicalmente diferenciados.

Por que friso teoricamente? Não vislumbro um mundo sem capitalismo, sem mercados e sem liberdades. Não vislumbro um mundo fechado as redes sociais. Não vislumbro um mundo sem interações econômicas. Portanto, a ameaça terrorista tende a continuar, pois existem muitos que não vislumbra o que eu vislumbro.


Conselhos para os que desejam ser presidente da República

Adriano Oliveirasex, 09/09/2011 - 14:00

Precisamos olhar com parcimônia os fatos da realidade brasileira. A pressa impossibilita uma análise apurada. Sem análise apurada, não conseguirmos compreender a realidade e prospectar quanto ao futuro. O futuro, às vezes, é incerto. Outras vezes, não.

Existe uma grande imprensa no Brasil? Acredito que sim. Mas esta grande imprensa não deve ser reconhecida como ruim. Mas como benéfica a democracia brasileira. Costumo afirmar que existem também os grandes articulistas brasileiros, os quais influenciam os leitores atentos – não são muitos – aos eventos políticos, institucionais e eleitorais.

A grande imprensa escolhe ou expõe a preferência por candidatos. Os grandes articulistas também. A escolha ou a preferência não condena a independência da grande imprensa ou dos grandes articulistas. Ao contrário, leitores e analistas políticos sábios descobrem que eles inserem uma agenda na opinião pública. E isto é legítimo num país democrático.

Não fere a democracia, o fato da grande imprensa e dos grandes articulistas escolherem ou preferirem dados atores políticos. Eles, inclusive, sugerem uma agenda para a opinião pública – função natural da mídia, pois ela informa e concede opinião sobre eventos.

Os candidatos que caminham contra a agenda escolhida tendem a sofrer da grande imprensa e dos grandes articulistas oposição no campo das ideias. E uma constante fiscalização. Os que conjugam com a agenda ofertada, tendem a receber atenção e elogios. Mas isto não significa que estão imunes à constante fiscalização.

Encontro na agenda da grande imprensa e dos grandes articulistas a reforma tributária, o controle inflacionário, a responsabilidade fiscal, a privatização, a defesa por maior investimento estatal em infraestrutura, a educação, a segurança pública, a transparência e a eficiência da máquina pública. Esta agenda foi construída em razão das opiniões dos seguintes atores: acadêmicos, mercado (Este reconhecido como um ator político), e profissionais do mercado.

Os temas apresentados vieram à tona lentamente no Brasil. O início da ebulição destes temas ocorreu na curta era Collor. E se consolidou na era FHC. Alguns dos temas foram incorporados na era Lula pelo PT. Outros não. No governo Dilma ocorre algo semelhante.

Em 2014 a agenda da grande imprensa e dos grandes articulistas não mudará. Os que desejam ser presidentes precisam conquistar a admiração e o respeito da grande imprensa e dos grandes articulistas.


Marketing político, estratégias e conjuntura

Adriano Oliveiraqua, 07/09/2011 - 10:05

Infelizmente, pesquisas no âmbito do Marketing Político não fazem parte da agenda da Academia brasileira. Ao contrário do que ocorre nas variadas universidades americanas, o Marketing Político não é reconhecido no Brasil como um objeto cientifico. Portanto, não passível de análise científica.

É impossível falar em Marketing Político sem considerar aspectos básicos que são abordados pela Ciência Política, quais sejam: ações individuais, escolhas, estratégias e visões de mundo.

Politólogos procuram decifrar os incentivos que possibilitam as ações individuais. Indivíduos fazem escolhas, destas surgem conflitos e cooperação. Indivíduos agem estrategicamente em busca dos seus objetivos. As escolhas dos indivíduos, por vezes, são condicionadas por suas visões de mundo.

Na trajetória eleitoral, os eleitores, em razão de incentivos advindos do Marketing Político, fazem escolhas eleitorais. Considerando os determinantes do voto, identificamos, em algumas eleições, posicionamentos estratégicos dos eleitores. Os candidatos, através das ferramentas do Marketing Político, busca conquistar eleitores, em razão disto, se posicionam, costumeiramente, estrategicamente.

O que é, então, Marketing Político? Conjunto de ferramentas utilizadas para a conquista do eleitor. A informação é a principal ferramenta do Marketing Político. Ela tem o objetivo de conquistar eleitores, pois estes buscam informações sobre candidatos.

Nas campanhas eleitorais, as informações são utilizadas pelos eleitores para tomarem as suas decisões. Friso, contudo, que utilizem esta assertiva como necessária na compreensão da escolha do eleitor. Mas não como determinista.

O Marketing Político depende das conjunturas política e econômica. Sem a compreensão destas, estratégicas mercadológicas satisfatórias não são criadas. Eleitores e candidatos estão dentro de uma dada conjuntura. Ela, por sua vez, influencia a escolha dos eleitores.

O objeto Marketing Político requer compreensão e construção com base em premissas científicas, pois ele visa conquistar eleitores.


Qual é a agenda do PT?

Adriano Oliveirater, 06/09/2011 - 15:26

Se não existisse a liberdade de expressão, talvez o lulismo não existisse. Foi através da imprensa que Lula pôde publicizar os seus atos e mostrar o seu carisma, recheado de emoção, para os eleitores. Lula é produto, em parte, do exercício da liberdade de expressão da imprensa.

O PT é também produto da imprensa. O PT ao nascer precisou da imprensa. Através dela, o PT pôde apresentar as suas propostas para a opinião pública. O PT, em razão de Lula, conquistou, por três vezes, a presidência da República. Os méritos e escândalos do PT no exercício da presidência foram divulgados.

O PT é hoje o partido mais admirado ou citado do Brasil em variadas pesquisas de opinião pública. A admiração, a citação e também a rejeição são provenientes do exercício da liberdade de expressão da imprensa. Então, indago: por que o PT quer regulamentar a imprensa?

Em razão dos méritos do governo FHC e da humildade não declarada do ex-presidente Lula, as transformações socioeconômicas iniciadas por FHC foram continuadas por Lula quando este assumiu a presidência. Em razão de Lula e FHC, o Brasil avançou nos indicadores sociais e econômicos. Hoje, inclusive, são mais pessoas que concluíram o ensino médio e estão no ensino superior.

Os novos indivíduos que melhoraram o seu nível de instrução podem desejar informações sobre a República. Se a imprensa não divulga a informação, já que ela poderá ser controlada, eles irão reclamar. Surveys sobre comportamento revelam que o brasileiro acredita na educação como instrumento de mobilidade social. Portanto, suponho que eles valorizam a liberdade de informação.

O PT cometeu erros com a República. Lula falhou ao não apresentar para os brasileiros um projeto de longo prazo para o Brasil. Por outro lado, reconheço que ambos ampliaram o Bolsa Família, criaram o PROUNI e instituíram instrumentos para o aumento da oferta de crédito. Portanto, o PT e Lula contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.

Neste instante, diante de uma presidenta que mostra seriedade com a coisa pública (Com dificuldades) e tenta construir, lentamente, um projeto para o País, o PT não pode ir contra a agenda da opinião pública. Garanto ao PT que a opinião pública deseja liberdade e desenvolvimento socioeconômico.


Estrategistas falam o óbvio?

Adriano Oliveiraseg, 05/09/2011 - 12:28

Estrategistas falam o óbvio? Por várias vezes, alguém chegou para mim e disse: “Mas isto é óbvio”. Respondi de imediato: “Mas é óbvio agora, após o evento ter ocorrido e se consolidado”. Analisar os eventos após a ocorrência é tarefa fácil. Mas sugerir a ocorrência de eventos futuros é tarefa árdua. Portanto, algo é óbvio quando ele já ocorreu ou quando alguém mostra.

O óbvio precisa ser dito. E só descobrirmos que ele é óbvio quando alguém revela o óbvio. Nem sempre o óbvio é identificado. Ou vislumbrado. Apesar de o evento ser óbvio, nem todos prevêem ou identificam o óbvio.

Fenômenos eleitorais são óbvios quando acontecem e, por consequência, são identificados. Ora, mas por que o analista não identificou ou prognosticou o fenômeno eleitoral óbvio antecipadamente? As pesquisas qualitativas e quantitativas quando bem feitas e adequadamente interpretadas possibilitam a identificação ou a previsão do óbvio.

Existe a hipótese óbvia. Por exemplo: Lula será candidato em 2014. Esta assertiva é uma hipótese óbvia, mas que poderá ser falseada. Os autores desta hipótese óbvia partem da premissa de que mutações nas escolhas dos indivíduos não ocorrem. E que o eleitor é passivo. No caso, ele não consegue construir um raciocínio mínimo sobre um candidato. O eleitor, em 2014, irá perguntar: se Dilma vai bem, qual é a razão de Lula voltar? Ou, se Dilma vai mal, a responsabilidade não é de Lula?

Os mentores da hipótese óbvia não têm capacidade preditiva e não desenvolve análise conjuntural. Para ele, o comportamento dos indivíduos e suas escolhas são estanques. No caso, não variam. Engano!

Existe outra hipótese óbvia na praça. Qual seja: João da Costa não tem condições de ser reeleito. Saliento, que toda hipótese óbvia carece de formulação adequada. Por que João da Costa não tem condições de ser reeleito? Os sujeitos que disseminam tal hipótese desconhece o poder da máquina pública e das estratégias de comunicação. Ambas influenciam fortemente na escolha do eleitor.

Em 2014, os formuladores da hipótese óbvia irão dizer: “Lula não é candidato, Adriano. Isto é óbvio”. Se João da Costa for reeleito (A oposição com dois candidatos tem condições de vencer a disputa), alguém vai me dizer: “Também, com a máquina na mão, que não é reeleito? Isto é óbvio”.

Os exemplos acima mostram que o óbvio surgiu após o fato. Proponho que os analistas e estrategistas consigam identificar e prognosticar o óbvio. Pois depois do fato ocorrido, ele passa a ser óbvio. E isto é óbvio!


Faltam estratégias para o Brasil

Adriano Oliveiraqui, 01/09/2011 - 16:05

Colunistas políticos frisam em demasia que a oposição não tem projeto para o país. Complemento: nem a oposição, nem o governo. Mas não posso ser injusto com a História: FHC teve projeto para o país. O Plano Real, as privatizações e o PROER foram instrumentos que mostraram que FHC refletia sobre o futuro do Brasil.

Na era Lula, o imediatismo prevaleceu. Não considero o Bolsa Família como instrumento utilizado para preparar os beneficiados para o futuro. O Bolsa Família é uma ação compensatória. Mas estritamente imediata. Porém, faço justiça a Lula: o PROUNI é um instrumento que contribui para o sucesso dos indivíduos a longo prazo.

Dilma, até o instante, não apresentou um projeto para o Brasil. Ela fala no trem bala. Obra cara, embora necessária. Mas, ressalto, não é prioritária. Dilma expande o Bolsa Família e tem coragem de discutir a possibilidade de aumento da carga tributária. A presidenta vai contra um eleitorado que lentamente se transforma.

E a oposição? Após FHC, os atores da oposição perderam três eleições. Em todas estas, nada de novo foi apresentado. Atores da oposição e da situação sempre propuseram a mesma coisa em sua plataforma de governo. Aliás, após a era FHC, a agenda de desenvolvimento no Brasil é semelhante e antiga.

O que os atores da situação e da oposição pensam sobre a eficiência do estado brasileiro? Como ofertar bens públicos de modo eficiente e eficaz? É possível criar um novo modelo de Previdência Social? Como limitar os gastos públicos? Quais condições devem ser criadas para possibilitar que o setor produtivo enfrente a concorrência comercial chinesa? Qual deve ser o limite da carga tributária? Criar mais universidades públicas, ou investir nas já existentes? A educação básica deve ser prioridade ou não? De que modo a saúde pública pode atender adequadamente aos mais pobres?

Estes questionamentos não fazem parte da agenda pública da situação e da oposição. O debate que prevalece é sobre juros e consumo. E nada mais. Estamos pobres em termos de estratégias de desenvolvimento. E os eleitores, vale salientar, aparentam felicidade e desdenham do futuro.