Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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A conjuntura do governo Dilma

Adriano Oliveiraseg, 15/08/2011 - 11:04

Prognósticos eleitorais requerem a compreensão da conjuntura e a construção de cenários. De acordo com a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), a economia brasileira deve crescer em torno de 4%. A taxa de inflação, conforme especulações do mercado, tenderá a ficar fora da meta estipulada pelo Banco Central.

É necessário também considerar a conjuntura econômica dos Estados Unidos e da Comunidade Européia. Ambos enfrentam dificuldades nos âmbitos da dívida pública, oferta de emprego reduzido e baixo crescimento econômico. As situações econômicas dos Estados Unidos e da Comunidade Européia afetam o desempenho da economia brasileira.

No âmbito político, a presidente Dilma sofre ameaças da sua ampla coalizão partidária. O Partido da República (PR), através do senador Alfredo Nascimento, já ameaçou rompimento com o governo. Em alguns instantes, a relação Dilma-PMDB revela-se conflitante. Por conta do corte de gastos anunciados no início do ano, parlamentares ameaçam não colaborar com Dilma no Parlamento – O ato de colaborar deve ser compreendido em diversos sentidos, inclusive no ato de evitar aberturas de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

É importante salientar, o papel fiscalizador da imprensa. São corriqueiros os casos de corrupção trazidos por ela. Estes fatos incentivam a oposição a agir, como também despertam a atenção da opinião pública.

Diante de fatos de corrupção, turbulências no Parlamento e conjuntura econômica desfavorável, a média de aprovação da administração do governo Dilma é de 48% (Datafolha). A média da confiança é de 69,5% (IBOPE). Ambos os percentuais sugerem que Dilma ainda está bem. Entretanto, as conjunturas política e econômica precisam melhorar. Caso não, ela não adentrará 2014 como favorita a reeleição.


Falsa interpretação da realidade social

Adriano Oliveiradom, 14/08/2011 - 15:12

As recentes convulsões sociais ocorridas na Inglaterra evidenciaram que ideias conservadoras e, por conseqüência, absurdas, ainda encontram espaço na esfera pública. Não discordo do espaço conquistado por essas ideias. Mas fico surpreso com a presença delas. 

Por muito tempo, estudiosos, políticos e imprensa sugeriram que os conflitos nos morros cariocas eram provenientes da desigualdade social. Bastava o estado oferecer casa, comida, escola, emprego e divertimento, para o tráfico deixar de existir. Lentamente, o poder coercitivo estatal adentrou nos morros e o efeito esperado apareceu, qual seja: diminuição do tráfico e dos conflitos.

Por várias vezes, José Beltrame, secretário de segurança do Rio de Janeiro, expôs a necessidade de que comida, escola, emprego e divertimento fossem oferecidos às comunidades cariocas que estão ou estavam dominadas pelo tráfico. Beltrame tem razão. Ou seja: o poder coercitivo é variável necessária, mas não suficiente para inibir ou findar com o tráfico de drogas.

O debate que surgiu em razão das convulsões sociais na Inglaterra foi de que jovens querem casa, comida, escola, emprego e divertimento. Inicialmente, isto é um exagero, basta olharmos para os indicadores sociais da Inglaterra. Além disto, jovens, provenientes de variadas famílias, as quais possuem rendas diferenciadas, foram vetores das convulsões. Portanto, alegar que os conflitos na Inglaterra são provenientes de uma “bomba social” é falácia.

O estado de bem-estar social é necessário. Mas este não é mais possível diante das limitações fiscais dos estados do Ocidente. Ele precisa ser recriado, o qual precisa ter como função básica o atendimento das demandas dos setores fortemente excluídos. Não acredito, por exemplo, que o Brasil possa criar um estado de bem-estar social semelhante aos existentes na Europa na década de 70.

Casa, escola, comida, emprego e divertimento são necessários. Não questiono isto. Estes devem ser ofertados pelo estado e pelo mercado. O estado deve dar condições para que indivíduos qualificados possam aproveitar as oportunidades geradas pelo capitalismo. Mas é claro, e esta é uma característica da sociedade capitalista, desigualdades sociais existirão. E cabe ao estado amenizá-las.

Não alimentem e difundam a falsa hipótese de que indivíduos traficam ou geram conflitos em razão dos problemas sociais que enfrentam. E que a igualdade econômica é necessária para por fim a convulsões sociais.

O estado deve ofertar igualdade de condições e punir aqueles que buscam transgredir as normas. Na discussão em torno de atos ilícitos, acreditar que distúrbios sociais ou crimes devem ser justificados fortemente pela variável social, é sugerir uma falsa interpretação da realidade social.


É possível nascer o dilmismo?

Adriano Oliveirasex, 12/08/2011 - 18:25

 

Manifestações dos eleitores são observadas em momentos eleitorais ou durante o governo do ator político. Eleitores escolhem presidentes. Eleitores passam a confiar em presidentes. As escolhas possibilitam que o presidente governe democraticamente.

A confiança do eleitor para com o presidente surge durante o exercício do governo. Presidentes que adquirem a confiança do eleitor são presidentes bem avaliados administrativamente. Presidentes bem avaliados podem ser reeleitos.

FHC foi reeleito. Os eleitores avaliavam positivamente a sua administração e confiavam nele. Semelhante fenômeno eleitoral ocorreu com o presidente Lula. Embora, a média de aprovação de FHC, em seus oitos anos de mandato, foi inferior a de Lula – FHC, 30,4%; Lula, 52,26%.

A média de confiança dos eleitores em relação ao presidente Lula foi de 65,8%. No caso de FHC, 45,3%. Em razão dos indicadores “Avaliação da administração” e “Confiança no presidente” afirmo que existiu o lulismo. Entretanto, não posso afirmar que houve o fernandohenriquismo (termo por mim criado!).

Neste instante, reflito quanto à possibilidade de existir o dilmismo. Para tal, é necessário que os percentuais das variáveis “Avaliação da Administração” e “Confiança” sejam próximos aos obtidos por Lula ou superiores.

Considerando as conjunturas econômica e política e vislumbrando o que ocorrerá nos âmbitos político e econômico nos próximos três anos, não acredito que nascerá o dilmismo. Em razão disto, friso que a oposição tem chances de reconquistar a presidência em 2014.


O lulismo, o eduardismo e 2018

Adriano Oliveiraqui, 11/08/2011 - 11:21

O comportamento dos eleitores sofre mutações. Em razão delas, ciclos eleitorais surgem. Em dado instante, partido X ou ator Y vencem a disputa eleitoral. Em outros, perdem as disputas. Os ciclos eleitorais revelam que o poder não é eterno.

Muitos, e a própria imprensa, apostam em Lula para a disputa presidencial de 2014. Por diversas vezes frisei que Lula não voltará. Desde a chegada de Lula à presidência da República, o PT virou o partido da moda em razão do lulismo. O lulismo é um fenômeno eleitoral visível no eleitorado brasileiro, mais visível na região Nordeste. Por meio do lulismo, candidatos vencem as eleições. Este foi o caso de Dilma. Entretanto, neste instante, tenho dúvidas quanto à influência do lulismo junto à escolha eleitoral dos indivíduos.

Lula é admirado, mas isto não significa que os eleitores querem ele de volta à presidência. Ou que ele é um forte cabo eleitoral. Líderes podem ser admirados em razão do seu passado. Mas eleitores podem não desejá-los para o futuro.

Lembro, que por muito tempo, o PFL, hoje o DEM, tinha ministérios, secretários de estado e uma grande quantidade de prefeitos. Muitos atores precisavam do PFL para conquistar um mandato. Hoje, nem todos precisam. São os ciclos eleitorais. O lulismo, portanto, não é perene.

Em Pernambuco, desde a vitória de Eduardo Campos, um novo ciclo político surgiu. O PSB é o partido da moda. Todos querem fazer parte do PSB ou serem aliados dele. Em Recife, o PT cresceu em razão da liderança de João Paulo. Porém, o PT hoje depende – eleitoralmente e politicamente –  claramente do PSB ou de Eduardo Campos para manter a prefeitura do Recife e para conquistar o governo do Estado em 2014.

Eduardo Campos avança sobre o eleitorado do PT na Região Metropolitana do Recife (RMR). As Unidades de Pronto Atendimento (UPAS), o seu estilo, a conquista de adeptos em prefeituras da RMR e a associação com o ex-presidente Lula, possibilitaram que Eduardo conquistasse à opinião pública. As obras viárias anunciadas reforçarão a imagem de Eduardo Campos junto ao eleitor.

Mesmo que a oposição vença a disputa eleitoral em Recife, Eduardo manterá a sua liderança. E, prevejo, que caso um ator oposicionista conquiste a prefeitura do Recife, ele buscará uma aproximação política com o governador.

É claro que o quadro sucessório em Recife não está claro. Surpresas podem ocorrer, pois ainda existem duas dúvidas: 1) Quem será o candidato da oposição? 2) E qual será a escolha de João Paulo? A oposição poderá, caso dado ator vença a disputa, criar uma sombra para a liderança de Eduardo. O retorno de João Paulo a prefeitura poderá trazer problemas para a base de Eduardo na eleição em 2014.

Contudo, neste instante, a conjuntura é caracterizada pelo eduardismo. Todos desejam ser aliado de Eduardo Campos. Prevejo que a forte expectativa (Eduardo Campos forte eleitoralmente) de poder do eduardismo e sua forte influência sobre os atores durará até 2018 em Pernambuco.


As ações da Polícia Federal, Dilma e o marketing

Adriano Oliveiraqua, 10/08/2011 - 10:22

Na era Lula, a Polícia Federal brasileira (PF) conquistou a opinião pública por conta da sua atuação. Funcionários públicos foram detidos. Esquemas de corrupção descobertos. A criminalidade organizada endógena, a qual tem origem no estado, foi enfrentada.

Entretanto, no Brasil, as ações das instituições coercitivas têm limites. E as ações da PF tiveram limites. Em pesquisa realizada em parceria com Jorge Zaverucha, comprovei esta assertiva. Em dado instante, na era Lula, a PF recuou no enfrentamento ao crime organizado endógeno.

Diversas pesquisas de opinião, inclusive uma realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau em 2009, mostram que a Polícia Federal tem credibilidade e é admirada pela opinião pública. Saliento que Lula utilizou as ações da PF em sua retórica para angariar votos.

Presidentes da República são chefes da Polícia federal. Mas a Polícia Federal tem, supostamente, autonomia em relação ao presidente da República. No caso, o diretor-geral da PF não precisa avisar ao presidente sobre determinada operação ou prisão. Do mesmo modo, suspeito que delegados não precisam informar ao Diretor geral as investigações em andamento.

A PF, portanto, tem autonomia em relação ao presidente da República. E delegados têm parcial autonomia em relação aos diretores. Se assim for, a PF realiza investigações de modo autônomo. Portanto, a prisão de A ou de B não é comunicada previamente ao presidente da República.

As prisões realizadas pela Polícia Federal no ministério do Turismo mostram que Dilma não sabia de nada. Foi pega de surpresa – hipótese palatável. Se assim ocorreu, Dilma, mais uma vez, mostrou para a opinião pública que não tolera corrupção em seu governo. Embora, a intolerância tenha limites. Ou seja: alguns atos por parte de atores importantes serão tolerados.

As operações da PF ofertam atributos mercadológicos para Dilma. Por consequência, a sua imagem junto à opinião pública é construída. “Intolerância com a corrupção”, “Doa a quem doer”, “Não admito corrupção no meu governo”, “A Polícia Federal tem autonomia”, “Enfrentaremos os corruptores”.

As frases sugeridas poderão, aos poucos, ser utilizadas por Dilma. E com isto, conquistar eleitores. Dilma tem um oportunidade única para construir a sua marca junto ao eleitor. Qual seja: utilizar as ações da Polícia Federal como instrumento de marketing e consolidação da sua imagem junto à opinião pública.


A importância do Diagnóstico Estratratégico

Adriano Oliveirater, 09/08/2011 - 09:49

Fernando Haddad e Marta Suplicy disputam a indicação do PT para disputar a prefeitura de São Paulo. Haddad tem o apoio de Lula e assevera que é o novo. Marta tem o aval de parte do PT e não é o novo. Ambos têm certeza do sucesso eleitoral.

Em minha opinião, Haddad tem mais condições de vencer a disputa em São Paulo. Tenho esta intuição (não tenho argumentos baseados em pesquisas) em razão de que Fernando Haddad representa o novo. É um professor universitário. Contribuiu para a ampliação das universidades públicas. É jovem. Tem o aval de Lula.

Haddad, e isto é uma hipótese, tem condições de crescer em todos os segmentos econômicos. Ao contrário de Marta, a qual tem forte rejeição nos segmentos A e B
Intuições precisam ser testadas empiricamente. Portanto, recomendo ao PT paulista que realize um Diagnóstico Estratégico para verificar qual candidato é mais competitivo.

O Diagnóstico Estratégico verifica o ânimo do eleitor, constrói e avalia cenários eleitorais, verifica a rejeição, identifica a imagem dos competidores, aborda os aspectos emocionais do eleitor e descobre as demandas da população. Através do cruzamento e avaliação dessas variáveis, é possível prognosticar quanto às chances de sucesso de cada candidato.

Competidores, costumeiramente, e com o aval de publicitários, optam por avaliar numa pesquisa eleitoral apenas a intenção de voto. Para eles, quem “tem mais” é o favorito. Portanto, o melhor candidato para adentrar na disputa. Engano! Pesquisas realizadas neste instante devem ter o objetivo de verificar as potencialidades de cada competidor em variados cenários.

Muitos políticos se decepcionam quando as urnas são abertas. E responsabilizam os institutos de pesquisas. A razão disto ocorrer é o raciocínio falso de que a variável intenção de voto é suficiente para garantir a candidatura de um ator político.

Na disputa de 2012, variados competidores ficarão surpresos com os seus resultados, pois acreditaram na intenção de voto e esqueceram de avaliar as potencialidade da sua candidatura junto ao eleitorado. 


Se a eleição fosse hoje, Dilma seria reeleita?

Adriano Oliveiraseg, 08/08/2011 - 08:06

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste último domingo (07/08) mostra que a avaliação da administração da presidenta Dilma está estável. Segundo o Datafolha, a gestão de Dilma é aprovada por 48% dos brasileiros (Ótimo/Bom). Este percentual é confortável diante das turbulências políticas e econômicas ocorridas.

Dilma precisou elevar os juros com a intenção de controlar a inflação. A oferta de crédito foi interrompida levemente. Denúncias de corrupção incentivaram Dilma a agir. Assim como declarações não adequadas por parte do ex-ministro Jobim. Estes eventos, econômicos e políticos, não interferiram negativamente nem positivamente na avaliação do governo Dilma.

Um fato me chama a atenção. A opinião pública não tolera atos de corrupção. Em razão disto, suspeitei que as ações de Dilma junto ao ministério dos Transportes possibilitariam o aumento da sua popularidade. Ressalto, entretanto, que o aumento dos juros e a expectativa de alta de inflação também não interferiram na popularidade de Dilma negativamente.

Administrações bem avaliadas permitem o sucesso eleitoral. O bem estar-econômico do eleitor também. Estas variáveis estão correlacionadas. Elas, inclusive, exprimem relações de causalidade. Ou seja: o bem estar-econômico do eleitor permite que este aprove a administração do presidente.

Diante de tal tese, é possível prognosticar dois cenários para Dilma: se o bem estar-econômico dos eleitores for mantido, o índice de popularidade de Dilma aumentará ou continuará estável. Caso não, ele decrescerá. Aposto no último cenário, em razão das turbulências nas economias dos Estados Unidos e da Comunidade Européia. O Brasil sofrerá conseqüências. Além disto, o governo Dilma tem desafios. Por exemplo: obras da Copa do Mundo e controle da inflação.

Caso a eleição para presidente da República fosse hoje, Dilma não seria favorita, mas competitiva. Costumo nas análises de pesquisas realizar o seguinte exercício: A pesquisa do Datafolha revela que 48% (Ótimo/Bom) dos eleitores votariam em Dilma – considero o indicador Avaliação da Administração. 39% (Regular) poderiam votar na oposição ou em Dilma. E 11% optariam pela oposição.

Porém, considero que a campanha eleitoral ocorre numa trajetória. Portanto, eleitores podem mudar as suas escolhas em virtude das estratégias de comunicação. O raciocínio mostrado é uma hipótese.

Presidentes precisam agir para mudarem as circunstâncias. A pesquisa do Datafolha e prognósticos econômicos e administrativos (Atender as demandas da Copa do mundo) sugerem que o governo Dilma passará por turbulências junto à avaliação do eleitor. Portanto, os estrategistas de Dilma precisam agir!


As características do governo Dilma

Adriano Oliveirasex, 05/08/2011 - 10:52

Até o instante, o governo Dilma se caracteriza pelo capitalismo de estado, forte influência do ex-presidente Lula e nacionalismo exacerbado. Dilma escolheu este caminho. Estas características estão presentes em razão das suas escolhas.


Não convém realizar juízo de valor quanto às escolhas de Dilma. Porém, é necessário vislumbrar o que poderá ocorrer no Brasil e no seu governo. O capitalismo de estado se caracteriza pela forte presença do estado na economia, através de bancos públicos, protecionismo e retóricas.

O BNDES é o instrumento, e isto desde o governo Lula, do capitalismo de estado. Através dele, Dilma tenta criar ou fortalecer, supostamente, empresas nacionais. Na defesa intransigente do mercado produtivo nacional, Dilma esbraveja nacionalismo.

A influência do ex-presidente Lula é nítida. Inclusive na escolha de ministros. Recentemente, após a saída de Nelson Jobim do ministério da Defesa, Lula indicou (segundo a imprensa) Celso Amorim. Diversas vezes, Lula opinou publicamente sobre o governo Dilma.

O capitalismo de estado ativo esconde as necessidades do Brasil no âmbito do setor produtivo. Em vez da ação enérgica do BNDES, por que não reduzir o custo Brasil? Por que não investir em infraestrutura? A defesa do nacionalismo deve estar presente no âmbito do mercado consumidor. Dilma precisa dar condições para a ampliação do deste mercado. Ressalto que a economia capitalista exige concorrência e competitividade.

A influência de Lula esconde as boas ações de Dilma. Faz com que ela não tenha identidade junto ao eleitor. Impossibilita a conquista de capital eleitoral próprio. Dilma faz escolhas, as quais lhe trarão custos. 


Intuições eleitorais e estratégias

Adriano Oliveiraqua, 03/08/2011 - 14:15

Às vésperas da eleição municipal, atores expõem as suas intuições. Intuições são, às vezes, verdadeiras. Entretanto, elas devem ser reconhecidas como hipóteses, as quais precisam ser testadas através de pesquisas qualitativas e quantitativas. Se as intuições são falsas, elas possibilitam a construção de estratégias políticas e eleitorais ineficientes. Mas se elas são verdadeiras, permitem estratégias eficazes.

Recomendo aos candidatos em 2012 que testem as suas intuições antes de agir. No caso, os atores devem verificar se as intuições são verdadeiras ou falsas. É possível que pesquisas não consigam comprovar a veracidade da intuição. Desta feita, é importante avaliar com outros atores a intuição. O importante é que o competidor não parta do principio de que intuição ganha eleição.

Neste instante, atores publicizam diversas intuições. Muitas falsas. Dentre várias, destaco as seguintes:

                1. Intuição 1: Prefeitos bem avaliados perdem a eleição. Resposta: falso. Nem sempre prefeitos bem avaliados perdem a eleição. Eleitores formam a sua preferência eleitoral numa trajetória. Nesta ocorrem fatos que interferem na escolha do eleitor. Portanto, eleitores podem reprovar, neste instante, a administração do prefeito X. Contudo, em razão de estratégias eleitorais eficientes, o prefeito mal avaliado poderá reconquistar eleitores e vencer a disputa eleitoral.
                2. Intuição 2: Presidentes bem avaliados elegem candidatos a prefeito. Resposta: Falso. Cada disputa tem uma lógica própria. A eleição para prefeito tem sua lógica específica. O eleitor avalia o seu bem estar na cidade. E não o seu bem estar na economia, por exemplo. O eleitor sabe as responsabilidades de cada cargo. Neste caso, ele sabe o que o prefeito pode fazer ou não. Temas como trânsito, organização urbana, limpeza da cidade e obras de infraestrutura fazem parte da agenda municipal. Porém, presidentes bem avaliados não devem ser dispensados. Eles contribuem, mas não determinam!
                3. Intuição 3: “Estou na frente hoje. Por isto, devo ganhar a eleição em 2012”. Resposta: Falso. O senso comum sugere que pesquisa reflete o momento. Em parte, o senso comum tem razão. Mas pesquisas realizadas neste instante possibilitam a construção de prognósticos eleitorais. Com isto, o candidato, a partir da construção de cenários eleitorais, adquire condições de definir as suas estratégias, as quais devem vislumbrar resultados futuros. As pesquisas eleitorais realizadas neste instante, além de possibilitar a construção de prognósticos, permitem descobrir quais candidatos têm condições de crescer numa trajetória eleitoral. Portanto, a posição de hoje nas pesquisas, pode não ser a do amanhã.


O que é governabilidade?

Adriano Oliveirater, 02/08/2011 - 10:14

Sistematicamente a expressão governabilidade aparece no discurso dos atores políticos. Certamente, alguns indivíduos questionam o conceito de governabilidade, pois não sabem o que significa. Outros acreditam no conceito construído pelos atores políticos para governabilidade. Mas, afinal, o que é governabilidade?

Como já frisei em texto anterior, está presente no Brasil o presidencialismo de coalizão. Nestes, variados partidos políticos apoiam o presidente da República. Este apoio possibilita a existência da coalizão partidária. Quando a coalizão partidária existe e turbulências não atrapalham a sua existência, a governabilidade nasce. Portanto, o conceito de governabilidade se confunde com o de presidencialismo de coalizão.

Porém, turbulências surgem em qualquer coalizão partidária. São variadas as causas das turbulências. O presidente da República pode não liberar as emendas parlamentares. Por consequência, reclamações surgem. Caso estas ganhem volume, crises ocorrem na coalizão. Com isto, os partidos prejudicados ameaçam retirar o apoio ao presidente. Sendo assim, a governabilidade é ameaçada ou deixa de existir.

Ocorre também, de instituições, como o Ministério Público ou a Polícia Federal, realizarem investigações sobre parlamentares da agremiação partidária X, a qual faz parte da coalizão partidária. Por se sentirem ameaçados, os parlamentares podem reclamar e, por consequência, saírem da coalizão. Com isto, a governabilidade é ameaçada ou finda.

Vejam que a governabilidade tem a sua utilidade estratégica. Ou seja: elas possibilitam governos funcionarem adequadamente no âmbito do Parlamento. Por outro lado, a governabilidade ameaça o funcionamento apropriado das instituições e gastos públicos desnecessários.

Quando uma instituição opta por não investigar dado ator político em nome da governabilidade, o papel desta instituição é questionado ou ela perde a sua função na sociedade. Quando governos atendem a demandas de parlamentares no âmbito do gasto público, desequilíbrio fiscal poderá vir a ocorrer.

Portanto, a governabilidade faz bem a presidentes. Mas nem sempre faz bem a sociedade.