Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

A futura eleição municipal

Adriano Oliveiraqua, 26/12/2018 - 12:35

O sucesso eleitoral de Bolsonaro tem incentivado candidaturas aliadas ao futuro presidente na vindoura eleição municipal. As articulações políticas e a formação da conjuntura começam a ser construídas em 2019. A lógica exige que as alianças sejam formadas de acordo com a conjuntura em que os eleitores estarão inseridos em 2020. 

Jair Bolsonaro poderá ser um grande eleitor no próximo pleito municipal. Embora, isto não signifique que candidatos apoiados pelo futuro presidente serão eleitos. O que existe aparentemente de concreto, neste instante, é que Bolsonaro influenciará a formação de um bloco de candidatos a prefeitos que irão se confrontar com partidos que militam na esquerda, como o PT, PSB, PCdoB e PDT. 

A influência do governo Bolsonaro atingirá grandes e médias cidades.  Podendo, claro, influenciar eleitores de municípios com baixa densidade populacional. Entretanto, preciso fazer uma alerta: A possível influência positiva de Bolsonaro na vindoura eleição só ocorrerá se o seu governo conquistar popularidade. Esta poderá estar nos campos moral e econômico. É possível que a agenda moral de Bolsonaro mantenha razoável popularidade para ele, independente do desempenho da economia. Mas a agenda moral traz rejeição. Assim como um desempenho econômico pífio. 
Bolsonaro será eleitor estratégico na futura eleição municipal. Mas a força do seu apoio é uma incógnita. Candidatos opositores ao governo Bolsonaro poderão ter bom desempenho, principalmente se a popularidade do presidente da República estiver em baixa. 

A crise econômica esteve presente na eleição de 2016. Ela possibilitou a origem de eleitores tolerantes com incumbentes. Estes votantes perdoaram prefeitos candidatos à reeleição, pois “acreditaram” que os prefeitos não fizeram mais ou não cumpriram as promessas em razão da crise. Em 2020, a crise econômica estará ou não presente. A existência dela tem o poder de criar eleitores tolerantes. Mas isto não é uma certeza. Sentimentos de mudança, a depender da conjuntura municipal, e não da nacional, também devem ser considerados. 

Prefeitos bem avaliados tendem a ser reeleitos. Mas como conquistar popularidade diante da escassez? Este é o grande desafio dos atuais prefeitos. Independente de Bolsonaro ou da crise econômica, prefeitos precisam convencer eleitores que merecem continuar. A eleição municipal começou. Feliz 2019! 

COMENTÁRIOS dos leitores