Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

O futuro do PT

Adriano Oliveiraseg, 10/12/2018 - 09:43

Em dois momentos da história, a morte do PT foi decretada. Em 2016, no auge da Operação Lava Jato. E, em 2018, em razão da vitória de Jair Bolsonaro para presidente da República. Afinal, o PT morreu?

O PT nunca morreu. O PT, em 2016, em virtude da Lava Jato, foi para UTI. Mas conseguiu sair. Em 2018, o PT perdeu a eleição presidencial, porém não saiu fortemente enfraquecido. A realidade socioeconômica do Brasil mantém o PT vivo. O sucesso ou o insucesso do governo Bolsonaro tem o poder de determinar o futuro do PT. 

O lulismo reforçou o PT. Mas o PT existe sem Lula. Embora, o lulismo seja muito maior do que o PT. No auge do lulismo, no ano de 2010, o PT tinha a preferência de 26% dos eleitores brasileiros – Instituto Datafolha. Em 2016, quando a Lava Jato estava em pleno favor, apenas 9% tinham preferência pelo PT. A Lava Jato e o desempenho do governo Dilma possibilitaram o declínio do PT. 

Após o impeachment, e a chegada à presidência da República de Michel Temer, o PT recupera fôlego. Isto ocorre também com o ex-presidente Lula. Em 2017, o PT readquire popularidade e obtém 17% da preferência dos eleitores. O ex-presidente Lula que tinha, em julho de 2016, 26% de intenções de voto, alcança, em novembro de 2017, 37% da preferência do eleitorado – Instituto Datafolha. Portanto, apesar da crise econômica e da Lava Jato, o PT e Lula reconquistaram eleitores. 

O PT sofreu estresse, recuperou popularidade e sobreviveu. A derrota para Jair Bolsonaro enfraquece, aparentemente, o partido, mas, o PT obteve a oportunidade de ser ator relevante na oposição ao futuro presidente. E chegar, em 2022, com um candidato competitivo na eleição presidencial. Entretanto, tais chances dependem, obviamente, do desempenho de Bolsonaro. 

O lulismo não perdeu para o bolsonarismo, mas para o antilulismo. O bolsonarismo é incipiente, pois, ao contrário do lulismo, não tem raízes no eleitorado, não tem memória, já quem não tem passado que faça com que os eleitores sintam saudade dele. O lulismo, ainda, provoca saudades. O bolsonarismo pode se consolidar e medir força com o lulismo, o qual pode declinar, se o PT não optar por preservar o lulismo, e, concomitantemente, abrir espaço para alianças e novos líderes. 

COMENTÁRIOS dos leitores